Por ligação com a Ditadura, vereadores repudiam criação de medalha com nome de tio de Caiado

A Câmara Municipal de Goiânia avisou ao vereador Paulo Daher (DEM) que vai barrar a proposta de criação da medalha Emival Caiado caso ele insista no projeto – que foi tirado da pauta nesta quarta-feira por pedido de vista do vereador Anselmo Pereira (PSDB). Daher, que é aliado do sobrinho de Emival, o senador Ronaldo Caiado, quer que a medalha homenageie pessoas que lutam contra corrupção. A maioria dos vereadores acha inaceitável celebrar uma figura que apoiou a ditadura militar.

Emival foi deputado federal (1955 a 1971) e senador (1971 a 1974), assim como o sobrinho. É irmão de Ecival (ex-deputado) e Edenval, pai de Ronaldo. Os três foram filhos do ex-governador Totó Caiado.

As críticas mais duras partiram da vereadora Tatiana Lemos, filiada a um partido (PCdoB) que nasceu pelas mãos de opositores do regime militar e que, segundo ela, teve a família perseguida pela repressão. “É uma afrontar criar medalha com nome de uma pessoa que apoiou a ditadura. Eu não consigo ficar calada diante de uma barbaridade como esta porque tive uma tia torturada e um pai perseguido. É desrespeitoso com todos que sofreram com o regime”.

Romário Policarpo (PTC) endossou as críticas e disse que votará contra a criação da medalha se Paulo Daher não mudar o nome do homenageado. “Jamais apoiarei esta iniciativa. Aqueles que fecham os olhos para ditadura fecham os olhos também para o Holocausto. Foi o momento mais doloroso do Brasil e aprovar este projeto seria incoerente por parte da Câmara”. Sabrina Garcêz (PMB) classificou como “absurda” a ideia de “homenagear alguém ligado à ditadura”.

A discussão tornou-se acalorada quando Daher, nervoso, contra-atacou Tatiana dizendo que ela tem o pôster de um “assassino” no gabinete (o guerrilheiro cubano Ernesto Che Guevara) e que queria ter mostrado a biografia de Emival à colega, mas que nunca a viu no gabinete para que pudessem conversar. “O senhor me respeite. Nunca marcamos nada no meu gabinete e, a partir de agora nunca marcaremos. É um grosso, mal educado e que não merece respeito. Nunca mais afronte a memória da minha família e das pessoas que brigaram para que o senhor tenha o direito de estar aqui, hoje, falando suas bobagens”, reagiu Tatiana

Vereador mais antigo da Casa, Anselmo Pereira (PSDB) subiu à tribuna para acalmar os ânimos e avisou Daher que tiraria o projeto de tramitação com um pedido de vistas. “Vamos deixar os mortos descansarem em paz, meu amigo”. Daher, teimoso como Ronaldo Caiado, afirmou que não aceita mudar o nome do homenageado.

Foi uma surra histórica.

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