Proeza de Iris: decreto que regulamenta aplicativos desagradou tanto Uber, quanto taxistas (sem falar da Câmara)

Câmara de Vereadores, Goiânia

Ninguém – absolutamente ninguém – ficou satisfeito com a decisão do prefeito Iris Rezende (PMDB) de regulamentar o funcionamento dos aplicativos de transporte individual em Goiânia e com os termos do decreto. De acordo com o site Diário de Goiás, tanto motoristas de Uber, quanto taxistas estão irritados com o Paço Municipal.

Sem falar da Câmara de Vereadores, que não engole o fato de ter tido excluída do debate.

“Os motoristas particulares entendem a importância da regulamentação, mas muitos não querem pelos vários pontos de insatisfação com o decreto”, disse Rodrigo Fernando de Jesus, vice-presidente da Cooperativa de Motoristas Particulares de Goiás (Coompago), em debate promovido nesta quarta-feira pela Rádio 730.

Rodrigo afirma que os motoristas que ele representa tem várias ressalvas ao decreto, mas o cerne está no fato de a regulamentação valer apenas para Goiânia, e não na região Metropolitana, o que os torna irregulares em municípios do entorno.

“É muito importante a regulamentação, mas ela tinha que atender também ao motorista. Todas as cidades da grande região tinham que assinar o decreto, isso fortaleceria todo o transporte. Outro ponto é o prazo de regulamentação do motorista, não dá para fazer tudo em 60 dias”, afirmou o vice-presidente do Coompago.

Rodrigo afirma que foi consultado, mas que suas sugestões não foram acatadas. Entre elas, a que previa valor de R$ 0,10 por corrida – e não por quilômetro, como estabeleceu a Prefeitura.

“O melhor a fazer seria um novo decreto, um novo projeto, e não a extinção desse. São 14 mil motoristas cadastrados, cerca de 8 mil ativos, mas muitos deles devem ficar na margem, não vão querer de adequar”, conclui.

TAXISTAS
O representante do Sindicato dos Permissionários de Táxi de Goiânia, Hugo Nascimento, também não ficou satisfeito com o decreto. Segundo ele, a categoria dos taxistas sempre foi favorável a regulamentação, mas o documento deixou a desejar.

“O decreto foi feito com base no jargão da preocupação com o usuário, no entanto, não traz nem a exigência de vistoria dos veículos”, afirmou ele.

De acordo com Hugo Nascimento, ele também participou das discussões, mas o decreto, em sua forma final, não foi divulgado para as categorias. Porém, o representante dos taxistas diz que há um sentimento de justiça com a regulamentação.