Caiado entra no jogo fácil, demagógico e populista do denuncismo vazio para vencer eleição para governador

Eleições, Goiás

Nesta semana, o senador Ronaldo Caiado (DEM) levantou o dedo em riste outra vez contra o governo do Estado para acusá-lo de ser o responsável pela alta abusiva do preço do combustível em Goiânia. Não importou ao senador o fato de o Sindiposto, sindicato que reúne donos de postos, ter vindo a público dizer que o aumento foi causado pela política de reajustes da Petrobras. O que Caiado queria era bater.

Nesta sexta-feira, o Procon anunciou a formalização de uma ação civil pública contra 60 pontos de gasolina sob a alegação de o aumento de 120% na margem de lucro era injustificável. A iniciativa do órgão confirmou que foi a ganância dos empresários, e não o ICMS do governo, o que provocou o desequilíbrio. Mas Caiado não liga e não mudou uma linha do que havia dito antes sobre o governo, porque não lhe interessa o assunto em si, e sim… bater em Marconi Perillo (PSDB).

O senador está decidido a vencer a eleição para governador em 2018 com a estratégia do denuncismo irresponsável, a exemplo do que fazem outros aliados seus, como o deputado federal Delegado Waldir (PR) e o deputado estadual Major Araújo (PRP). A coalizão dos cães raivosos atribui absolutamente tudo que acontece de ruim no Estado a ações de Marconi. Não será surpresa se, na conta do governador, Caiado creditar até um eventual fracasso do Vila Nova na campanha pelo acesso à série A do Campeonato Brasileiro.

Se morre alguém em rodovia estaduais, o senador diz que é porque o governo não faz nada para reduzir as altas velocidades dos veículos. Se instala radares, culpa-o por usar as máquinas para arrecadar com multas. Se falta água, é porque Marconi não acertou os ponteiros com São Pedro para que chovesse. Se não faz obras, o governo é inerte. Se faz, é porque quer se promover para o ano eleitoral. Vale ressaltar também que os ataques raivosos do senador não vêm acompanhados de propostas ou alternativas para a situação de desmantelo que ele enxerga. Afinal de contas, mudar o que está ruim não é a questão. O importante é criticar.

Caiado fez campanha contra o pagamento de diárias para servidores e policiais militares de Goiás que viajam pelo interior a trabalho, o que raramente custa mais de R$ 100 por servidor para o Estado. No entanto, aceita em silêncio o pagamento de R$ 900 em vale alimentação – que merece ser chamado de vale-lagosta, pelo valor – aos seus assessores. O valor exato é R$ 982,28, pelo que viu no contracheque do assessor de imprensa do senador, Tony Carlo Bezerra Coelho, em setembro deste ano.

A ambição de ser eleito governador está fazendo com que Caiado tome atalhos perigosos. O discurso pautado por ataques vazios por repelido pelo eleitor de Goiânia em 2016, na eleição para prefeito de Goiânia, e Iris Rezende (PMDB) só foi eleito porque conseguiu calar o seu vice, Major Araújo (PRP), durante a campanha toda. Em 2012, um candidato que tinha este mesmo perfil – Celso Russomano (PP) – começou na dianteira, mas sequer amealhou votos suficientes para concorrer no segundo turno.

Xingar e achincalhar adversários é o caminho mais curto para chamar a atenção do eleitor, mas nem sempre é confiável.