Lobista ligado a Caiado articulou divulgação de pesquisa Serpes com a chancela da Acieg

Aos olhos do meio político, a Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg) inaugurou uma nova etapa com a divulgação da pesquisa Serpes para governador, na última segunda-feira. Uma etapa que, a julgar pelos números do levantamento, será marcada pelo ativismo eleitoral contra o vice-governador José Eliton (PSDB) e a base aliada ao governador Marconi Perillo (PSDB), e em que a histórica imparcialidade da instituição foi relegada a segundo plano. O mais curioso é que quem está à frente desta marcha não é o presidente Acieg, Euclides Barbo, cristão-novo pouco familiarizado com as sinuosidades da política, mas um de seus vice-presidentes, cobra criada que atende pelo nome de Leopoldo Veiga Jardim.

O leitor que se informa pelas manchetes de jornal ou links em redes sociais desconhece a atuação reptícia de Leopoldo, que – pasmem! – há até poucas semanas, era funcionário do governo Marconi. Foi demitido do cargo de chefe de comunicação setorial da Secretaria estadual de Governo (Segov) quando o núcleo de articulação política do Palácio das Esmeraldas descobriu que, nos subterrâneos, ele continuava a servir coordenadores da campanha do senador Ronaldo Caiado (DEM) ao governo de Goiás.

Os poucos amigos que ainda restam a Leopoldo na base aliada tentaram vender a tese de que a Acieg havia encomendado e divulgado a pesquisa como forma de demonstrar a sua insatisfação com as mudanças nas regras de concessão de incentivos fiscais, depois que o governo baixou uma série de medidas para diminuir a sua renúncia de arrecadação em 9%. Prova disso seria o fato de o levantamento ter incluído políticos oriundos do empresariado em cenários da disputa para governador. Pode até ser que um ou outro dirigente da Acieg tenha vislumbrado esta estratégia, mas o objetivo principal de Leopoldo Veiga, o arquiteto desta investida, foi contribuir com os planos de Caiado.

Leopoldo vem de família rica. Estudou marketing eleitoral mas, a despeito do diploma que emoldurou e pendurou no seu luxuoso escritório, é uma fraude. Seus métodos nada republicanos são bastante conhecidos no meio político de Goiás. Há até pouco tempo, o seu sócio na caça por clientes era Pablo Kossa – voz que soa familiar para muitos, já que ele comenta todo dia na rádio Interativa FM. Pablo usava a sua verve de radialista para impressionar. Leopoldo chamava atenção com ternos de alta costura e com seu diploma. Foi assim que montaram uma carteira de clientes que tinha muitos nomes da oposição como, por exemplo, o deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT), a ex-deputada federal Marina Sant’Anna, o ex-deputado estadual Wagner Guimarães (PMDB) e o mais importante: o ex-deputado e hoje figura de proa do PMDB caiadista: Samuel Belchior.

Um dos argumentos que Leopoldo usava para captar clientes era sua suposta influência em meios de comunicação de Goiás. Gabava-se inclusive de ter acesso ao espaço mais prestigiado da imprensa do Estado, a coluna Giro, que às segundas-feiras é assinada pelo jornalista Caio Henrique Salgado. Assinado o contrato, Leopoldo sublocava mão-de-obra de jornalistas a preços irrisórios, valendo-se das históricas condições salariais precárias deste mercado. Foi assim que encantou Samuel Belchior, anos antes de o ex-deputado ser varrido no escândalo das pastinhas que tinha, como personagem central, a modelo Luciane Hoepers.

Leopoldo tentou salvar Samuel do furacão mas, fraude que é, nada conseguiu fazer para ajudar o chefe. Mesmo assim continuaram e continuam próximos, trabalhando dia e noite em favor de Caiado. O trunfo do falso marqueteiro agora é a vice-presidência da Acieg, cargo ao qual foi alçado por influência da ex-presidente Helenir Queiroz. Leopoldo não hesita em usar a entidade para objetivos inconfessos. A divulgação da pesquisa Serpes não foi o primeiro movimento estabanado deste verdadeiro elefante em loja de cristais. Foi ele também o nome denunciado pelo vereador Jorge Kajuru (PRP) na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia em janeiro deste ano.

Kajuru acusou Leopoldo de despachar em uma sala anexa ao plenário da Câmara na véspera da votação e de oferecer vantagens aos vereadores em troca de apoio à candidatura de Andrey Azeredo (PMDB), que foi eleito presidente da Casa. O inábil Leopoldo foi “conversar” com Kajuru na tentativa de impedir que a denúncia fosse formalizada no Ministério Público mas, explosivo que é, o vereador irritou-se ainda mais com a investida do falso marqueteiro para calá-lo.

De tudo isso, o leitor comum pouco conhece. Mas o fato é que Leopoldo, homem dos subterrâneos e dos ternos caríssimos, tenta há anos construir sua rede de influência com gestos que assustam pela falta de lealdade – ou, se preferir, de caráter. Empregado no governo e com bom salário, ele nunca deixou de articular em favor dos interesses de Samuel Belchior e Ronaldo Caiado. Da mesma forma, deve traí-los sempre que pode. O jogo dele é sujo, mas grosseiro. Leopoldo deixa digitais em tudo e sempre acaba com a reputação ainda mais manchada. Desta vez, tenta empurrar a Acieg em um caminho sem volta e potencialmente danoso aos empresários. Ou o presidente Euclides corta suas asas, ou cai com ele no buraco.