Mídia estadual ignora o maior fenômeno popular desde a queda de Collor: os protestos de rua

Um balanço dos jornais diários neste início de semana mostra um forte descompasso entre a cobertura dos da imprensa nacional e a da imprensa estadual.

Jornais como O Globo, Estadão e Folha focam a onda de protestos contra o transporte coletivo, nas capitais brasileiras, atribuindo ao fenômeno um quê de insatisfação popular com a situação nacional.

Os principais jornais do país estampam nas primeiras páginas que os protestos contra os preços das passagens de ônibus, e em repúdio à ação da polícia nas passeatas realizadas até agora, entraram de vez na lista de prioridades de governos estaduais, municipais e federal.

Reportagens ressaltam o tom de urgência e preocupação no tratamento e reação às manifestações. Análises reforçam a ideia de que governantes, principalmente da área federal, temem que as passeatas se alastrem pelo país.

Enquanto isso, placidamente, veículos regionais como O Hoje, Diário da Manhã e O Popular se dedicam nesta segunda-feira à cobertura de um evento ainda longínquo, a sucessão estadual de 2014.

A mídia goiana, nesta segunda-feira, ignora o tema dos protestos, e dedica espaços nobres a reportagens, colunas e artigos que tentam antecipar cenários ou posicionar de forma um pouco mais qualificada discursos e personagens que até o momento se apresentam ao eleitorado, de olho no cargo de governador no ano que vem.

A principal coluna das segundas-feiras, Cena Política, de Fabiana Pulcineli, em O Popular, passa longe do assunto dos protestos e aborda fatos vencidos.

Os protestos contra o transporte coletivo, em todo o Brasil – e Goiânia foi talvez a primeira cidade onde eles ocorreram –, estão sendo considerados como os mais importantes desde que a juventude foi às ruas para ajudar na destituição do presidente Fernando Collor.

Mas não para a imprensa de Goiás.