Explicação de Iris para a sua fortuna não justifica milagre da multiplicação dos milhões

Não é de hoje que, pressionado a dar uma explicação sobre a origem da sua fortuna, o ex-prefeito Iris Rezende costuma se sair com o seu suposto trabalho como advogado durante 11 anos, a participação em um frigorífico familiar, o Vera Cruz, que hoje nem existe mais, e a herança que recebeu dos pais.

Nada disso justifica o tamanho do patrimônio que Iris tem atualmente. São milhares de alqueires de terras, muito gado, outras propriedades imobiliárias – tudo constituindo um bolo que pode ser estimado em R$ 500 milhões.

Só a fazenda localizada no município de Canarana, no Mato Grosso, com pista asfaltada para aviões e usina hidrelétrica particular, onde estão empastadas milhares de cabeças de gado (em 2010, na sua declaração apresentada à Justiça Eleitoral, Iris admitiu mais de 11 mil bovinos), já seria suficiente para qualquer ser humano se declarar financeira e economicamente realizado para o resto da vida.

Essa fazenda é aquela que fica do outro lado do rio Araguaia, na divisa de Goiás com Mato Grosso, onde Iris construiu uma ponte de 750 metros (a famosa ponte do Itacaiú), apesar da falta de movimento na região, sendo acusado, na época, de visar apenas a facilitar o acesso à sua propriedade rural e às de seus irmãos (que são vizinhas).

Não se constrói uma fortuna dessas trabalhando 11 anos como advogado de júri popular, sendo sócio de um frigorífico de pequeno porte ou recebendo uma herança de pais que levaram uma vida modesta no interior goiano e estiveram longe de juntar uma fortuna.

Chegou a hora de o povo saber como foi que essa fortuna foi acumulada.