Médico chama Maguito de “cínico” em artigo na página de opinião de O Popular

O médico Flávio Paranhos, que escreve periodicamente na página de opinião de O Popular, chama o prefeito de Aparecida, Maguito Vilela, de “cínico” em artigo publicado na edição desta sexta-feira.

Flávio Paranhos ataca Maguito porque o prefeito de Aparecida defendeu as últimas medidas adotadas pelo Governo Federal na área médica – extensão do curso de Medicina para oito anos, serviço civil obrigatório de dois anos no SUS e importação de médicos estrangeiros.

Segundo o médico articulista, Maguito teria dito que um aumento de recursos para o SUS seria um detalhe sem muita importância. Essa posição do prefeito foi classificada por Flávio Paranhos como de um “cinismo sem limites”, já que, para ele e para a classe médica brasileira, é fundamental que se elevem os recursos da área de Saúde para que o atendimento possa ser melhorado.

Leia o artigo:

 

Cinismo sem limites

Flávio Paranhos

“O financiamento do SUS também foi abordado pelo governo federal. (…) Não sei se será significativo, mas com certeza dará uma aliviada boa para os municípios” (Maguito Vilela, em O POPULAR, edição de 09-07-2013)

Fernando Henrique Cardoso, depois de dois anos como ministro e oito como presidente, declarou na mais magnânima cara de pau que foi pego de surpresa pela crise energética.

Agora vemos Dilma Rousseff anunciar “medidas emergenciais” para o SUS, tendo seu partido também dez anos de poder. FHC botou a culpa, entre outras coisas, no tempo (contenha sua crise de riso, por favor). E de quem é a culpa da situação do SUS? Dos médicos, claro.

Esta é a mensagem passada à exaustão pela presidente e seu ministro da saúde, toda vez que vão à TV anunciar mais uma medida brilhante para apagar o fogo com gasolina.

Esqueça que o SUS está um caos porque o governo federal não investe a mesma percentagem do PIB que a Inglaterra investe (nessa hora, a Inglaterra vira um exemplo inconveniente). Ou porque gastou muito em mensalidades grandes, sei lá. Esqueça que postos de saúde e hospitais públicos estão caindo aos pedaços, tanto em cidades grandes como pequenas (quando essas têm). Esqueça que não existe carreira na saúde pública para médicos e demais profissionais de saúde. Tudo isso é detalhe.

É um mero detalhe, de acordo com o prefeito de Aparecida de Goiânia. Vamos entulhar nossos hospitais de operários da saúde de forma coercitiva e sem direitos trabalhistas. Genial! Se trazer médicos em massa de Cuba daria problema com a justiça trabalhista brasileira, vamos esticar o curso de medicina em mais dois anos, criando um serviço “militar” obrigatório. Brilhante! A gente paga uma bolsa simbólica, obriga os caras a darem o sangue, já que não podem reclamar, senão não formam. Por que não pensamos nisso antes! É melhor do que mão de obra barata. É mão de obra escrava. Quem sabe botamos os caras pra fazer tênis naique e aipódis e faturamos um extra? Desbancamos os asiáticos.

E depois de esse bando de bocós se matarem de estudar para passar no vestibular, empatarem oito anos de suas vidas na graduação e pelo menos mais três na residência, o que eles terão em troca? Subempregos oferecidos por prefeitos, governadores e presidentes cínicos (queria muito escrever outra coisa, mas vai cínico mesmo). (Sim, sim, sempre haverá um prefeito com proposta de contrato temporário de 30 mil pra mostrar no Fantástico).

Voltando à epígrafe, se o prefeito de Aparecida de Goiânia fosse médico, seria como se tivesse dito: “Não sei se a dose do antibiótico será suficiente para debelar a infecção do paciente moribundo, mas, fiquem tranquilos, nós demos água para matar sua sede.”