Homenagem de Nilson Gomes: “Gentileza gera gentis iguais a Maguito, um homem bom”

Segue abaixo texto do jornalista e advogado Nilson Gomes:

A morte de um homem bom gera enorme passivo na Humanidade, pois desfalca suas possibilidades de aprimoramento. A morte de um homem bom do tanto que foi bom Maguito Vilela é um estrago para a Humanidade, já tão desfalcada. Pouco importa se Maguito foi bom atleta, bom advogado, bom produtor rural, bom vereador, bom deputado estadual e federal, bom diretor de área social de banco, bom prefeito, bom senador, bom governador. Importa que Maguito foi bom, um homem bom.

A aposentadoria de Iris Rezende provocou a candidatura de Maguito a prefeito de Goiânia. Seria a conclusão das obras de concreto e o início concreto das obras sociais em profusão. Maguito realizava grandes construções, mas se realizava mesmo ao ver o pobre com a barriga cheia, com a despensa cheia, com a CTPS anotada, seus meninos na sala de aula, a merenda fumegando, o caderno anotado, o futuro se delineando.

Até gentios carregam na camiseta a frase de José Datrino “gentileza gera gentileza”. A gentileza de Maguito gerou uma carreira incrível, inteiramente dedicada a casas para quem não tinha teto, conhecimento para quem não tinha estudo, alimento para quem tinha fome — sobretudo isso, recheio para os estômagos.

Quando sua biografia teve uma inflexão, reergueu-a ao reerguer a confiança de 600 mil aparecidenses.

Reelegeu-se, descobriu Gustavo Mendanha como administrador e o indicou sucessor, viu o filho Daniel Vilela presidir o MDB e o principal colegiado do Congresso Nacional, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Morreu depois de empossado prefeito da Capital, porém antes de ver Daniel governador — não foi em 2018, talvez não seja em 2022, mas será.

Maguito subiu para o paraíso dos homens bons sem ter vivido a oportunidade de atualizar Goiânia. Seu plano era uma administração 5G, no mínimo. Queria investir em tecnologia, um mandato moderno na cidade inteligente que o recebeu e apoiou. Um lugar com 1 milhão e meio de vidas torcendo para que sobrevivesse. Uma Goiânia toda unida em orações, mas Deus direcionou o homem bom a Seus propósitos.

As preces funcionaram. Cercado por especialistas e aparelhos de primeira, Maguito resistiu acima da expectativa de médicos e da eficiência das máquinas.

Resistiu às maldades de quem anunciou diversas vezes a sua morte. Resistiu à ambição de alguns pelo poder ao qual chegava pela retribuição do povo a sua bondade.

Maguito resistiu.

Mas o Céu precisa de homens bons — aliás, seu único público.

Não há ali, como no mundo ideal não haveria na política, espaço para quem planta fake news, durante campanha ou não. Enquanto Maguito sofria na UTI, grupos o assassinavam nos teclados de celulares e computadores. Maguito, mesmo inconscientemente, os perdoou, pois assim fazem os homens bons: perdoam sem olhar a quem, até porque há monstros das telas e telinhas que não merecem sequer um olhar.

Maguito perdoou as muitas ofensas que eu e outros tantos escrevemos a seu respeito em um tempo engolido pelo Vale do Silício. Perdoou expressa e tacitamente, ao jamais procurar a Justiça para tomar os nossos salários em processos — essa renúncia é prática raríssima na política nacional, em Goiás seguida apenas por Ronaldo Caiado e Iris Rezende, além de Maguito.

Torce-se para que seu vice, Rogério Cruz, e seu filho Daniel Vilela cuidem de Goiânia, sobretudo dos pobres, como Maguito iria cuidar. Tragam Goiânia para o século XXI, com técnicas avançadas de governança, como Maguito iria gerir. E protejam, com ações de caridade, o legado do homem bom. Se sua memória transformar em tão bons quanto também Daniel e Cruz já terá valido a pena ser um homem tão bom.

Nilson Gomes é jornalista e advogado.