Hospital Municipal de Aparecida realiza 1ª cirurgia de captação de órgãos para transplante

Aparecida de Goiânia realizou na tarde desta quarta-feira (20), a primeira cirurgia de captação de órgãos para transplante da rede pública e particular do município. O procedimento histórico foi realizado no Hospital Municipal de Aparecida (HMAP), por uma equipe de cirurgiões liderada pelo médico Leonardo Toledo e coordenada por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais dos estados de Goiás e de São Paulo. O grupo foi responsável pela intervenção, que durou cerca de 2 horas. A cirurgia só foi possível devido à colaboração da família de uma paciente acometida por morte encefálica.
O procedimento captou fígado e dois rins. Os órgãos serão destinados a pacientes previamente inscritos no programa do Ministério da Saúde que gerencia a lista de espera por transplantes. O trabalho envolveu a Central de Transplantes, as equipes de Regulação de municípios e estado, psicólogos, assistentes sociais, motoristas e até as equipes das companhias aéreas. “Dezenas de pessoas, empenhadas para que a operação tivesse êxito”, afirmou o secretário Municipal de Saúde, Alessandro Magalhães.

Segundo a equipe do Hmap, assim que foi comunicada pela equipe médica da unidade a respeito da morte da paciente, que tinha 46 anos, que havia dado entrada na unidade no dia 14 de janeiro desse ano com diagnóstico de acidente vascular encefálico isquêmico, a família recebeu todo o aparato de acolhimento por parte dos profissionais do Hospital, que durante a entrevista protocolar se mostraram favoráveis à doação dos órgãos. O filho, responsável pela autorização, confessou que a motivação veio pelo desejo de oportunizar o prolongamento da vida de outras pessoas: “Onde quer que ela esteja, estará feliz por poder ajudar pessoas que sofrem”, afirmou.

O prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, ressaltou que a Saúde Municipal de Aparecida é referência no atendimento humanizado. “A reposição de um órgão garante ao paciente uma vida de esperança. É dar a pessoa a oportunidade de viver e de ter sua saúde restabelecida. É importante compreender que o procedimento ocorreu de forma solidarizada em nosso hospital municipal, pela primeira vez, com uma equipe multiprofissional preparada. A família da pessoa que morreu decidiu com muita humildade e empatia doar o órgão a pacientes que lutam pela vida. Uma atitude extremamente louvável, que não tem preço. Doar um órgão é sinônimo de amor. Eu como prefeito fico muito feliz de saber que aqui, em Aparecida de Goiânia, tivemos a primeira cirurgia para captação de órgão e que isso vai prolongar a vida de outras pessoas”.

Integração

Com a primeira captação de órgãos do Hmap, a rede municipal de Saúde de Aparecida passa a fazer parte do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que atua dentro do âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e que possui o maior sistema público de transplantes do planeta. Ao todo, no Brasil, são realizados em média mais de dez mil transplantes todos os anos, segundo o Ministério da Saúde. Agora, o sistema ganha a adesão das equipes da Secretaria de Saúde de Aparecida e a equipe do HMAP comemora o resultado. “Esse tipo de esforço acaba transformando a dor da perda de uma família em esperança de dias melhores e de uma vida saudável para diversas pessoas e seus respectivos familiares” – afirma a gerente do HMAP, Mara Jardim.

As etapas

O processo de captação é conduzido pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), que atua em parceria com a Organização de Procura de Órgãos, no âmbito estadual (OPO-HUGO). O procedimento só é possível quando realizado em pacientes com indícios de morte encefálica, como a que ocorreu no HMAP na última terça-feira, 19 de janeiro, notificada pela direção do Hospital ao OPO-HUGO. A partir daí, todas as etapas para diagnóstico de morte encefálica foram acompanhadas pela CIHDOTT. Nesta etapa, é realizado um exame de compatibilidade e o Cadastro Nacional de Transplante seleciona os receptores.

A equipe cirúrgica que realizou a captação no Hmap veio de São Paulo por meio de uma estrutura organizada em parceria com o Ministério da Saúde, as companhias aéreas que transportam os órgãos e as equipes com prioridade de voo. “Dessa vez foram duas pessoas que saíram da fila de transplante e poderão viver com muito mais qualidade”, destaca Mara. Ela conta que nem sempre é possível a realização da cirurgia de captação. “Para cada órgão há um tempo limite para a realização do procedimento cirúrgico. Os rins, por exemplo, podem esperar até 36h. Já o coração, apenas 4h. Na verdade, quanto mais rápido melhor. E agora nossa equipe do HMAP tem a imensa satisfação de poder fazer parte deste sistema, que salva tantas vidas”.

Katiuscia Freitas, que é gerente de Transplantes da Secretaria Estadual de Saúde, esclarece que assim que houve a confirmação da morte encefálica, às 15h19 do mesmo dia, a equipe médica já comunicou a família a respeito do óbito e a partir daí iniciou-se o trabalho de acolhida pela equipe multiprofissional do hospital. De acordo com ela, o esforço em conjunto oportunizou o consentimento da doação dos órgãos por parte dos familiares, resultando na captação dos rins e fígado da paciente. Em São Paulo, os receptores já ficam preparados aguardando a doação e a equipe da cirurgia de transplante.