Alcides gastou R$ 6 milhões com shows de duplas sertanejas desconhecidas

A realização de shows em Goiás costuma suscitar polêmicas. Mas, nada se compara aos realizados em 2010 por inúmeras duplas sertanejas desconhecidas.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) tem uma dura missão pela frente: investigar desvios de recursos em contratos que chegam a R$ 6, 6 milhões com shows de duplas sertanejas realizados pela Secretaria da Agricultura em 2010, durante a gestão do governo de Alcides Rodrigues (PP) – que teve apoio de parlamentares e integrantes da equipe que pertenciam ao PMDB e PT.

O órgão de controle das contas indica que despesas sem prévio empenho e pagamentos por shows que não foram realizados fazem parte dos gastos realizados pela gestão Alcides Rodrigues. A auditoria investigou shows com Milionário e José Rico, Rezende e Renato, banda Calcinha Preta, João Neto e Frederico, entre tantos outros.

Seis profissionais do TCE se debruçaram nas entrelinhas dos contratos e encontraram shows relatados e que supostamente não tenham até mesmo ocorrido. Em um dos processos, a dupla Milionário e José Rico fez quatro espetáculos em Goiás (Santa Helena, Araguapaz, Hidrolândia e Inaciolândia) e em cada show a dupla recebeu R$ 80 mil, mas a secretaria listou gastos de R$ 90 mil.

“Vale observar que algumas contratações se deram sem que fossem ouvidos os órgãos de orientação técnica e de controle. Embora a Assessoria Jurídica, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a representação da Superintendência do Controle Interno da Secretaria de Estado da Fazenda não tenham questionado a justificativa de preços em todos os processos em que se manifestaram, verificou-se que quando orientada a apresentação de outros documentos que demonstravam a compatibilidade de preços, a Seagro quedou-se inerte”, diz o relatório.

A investigação do TCE ainda encontrou irregularidades nos empenhos, documento em que um administrador vincula determinada despesa a recurso orçamentário.

Ou seja, prevê com planejamento e responsabilidade o que pagará. “A análise dos processos de contratações e as informações coletadas nas cidades para as quais os shows foram contratados possibilitou constatar vários casos em que os serviços foram prestados anteriormente à emissão dos empenhos”, diz o relato do TCE.