Cacique Raoni denuncia Bolsonaro no Tribunal de Haia por crimes contra a humanidade

O cacique Raoni Metuktire, emblemático defensor da Amazônia, pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que investigue o presidente Jair Bolsonaro por “crimes contra a humanidade”, acusando-o de “perseguir” povos indígenas, de destruir seu habitat e de ignorar seus direitos.

“Desde sua posse [em janeiro de 2019], a destruição da floresta amazônica se acelerou sem medida: aumento de 34,5%do desmatamento em um ano, maior índice de assassinatos de líderes indígenas nos últimos 11 anos (…)”, resume a denúncia do líder Kapayó, publicada neste sábado (23) pelo jornal francês Le Monde.

Essa situação, “a mais dramática dos últimos dez anos, é resultado direto da política de Estado do governo de Jair Bolsonaro”, que visa a “eliminar todos os obstáculos para saquear as riquezas da Amazônia”, acrescenta a denúncia, que também cita vários ministros.

De cerca de 50 páginas e escrito pelo advogado francês William Bourdon, o documento enviado ao TPI reúne as acusações de dezenas de ONGs locais e internacionais, assim como de instituições internacionais e de cientistas especializados em clima.

Entre as acusações estão a suspensão da demarcação de territórios indígenas, o projeto de lei que permite a mineração e a exploração agrícola em áreas protegidas, o orçamento limitado das agências ambientais agora controlados pelos militares e os assassinatos impunes de sete chefes indígenas em 2019, entre outras.