Goiás diz que pediu duas vezes que hospital em Águas Lindas fosse mantido, mas Bolsonaro negou

A Procuradoria-Geral da República (PGR) tem enviado ofício aos 27 governadores solicitando que eles expliquem o motivo do fechamento dos hospitais de campanha. Em resposta, o Governo de Goiás disse que, em setembro de 2020, o Governo Federal negou por duas vezes que o hospital de campanha de Águas Lindas, da gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), fosse mantido até o fim do ano. A negativa ocorreu em pleno avanço da pandemia no País.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrino, logo no início de setembro, o governo de Ronaldo Caiado (DEM) apresentou estudo técnico ao Ministério da Saúde e solicitou que o hospital de campanha continuasse o atendimento a pessoas com Covid-19 até o dia 30 de dezembro. Em sua resposta à PGR, o secretário disse que fez a solicitação porque entendia ser “necessária a manutenção do hospital de campanha para garantir a continuidade da assistência à demanda decorrente da pandemia”.

O envio do ofício pela PGR aos governadores foi comemorado pelos apoiadores do presidente Bolsonaro, e pelo filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Bolsonaristas têm usado o documento para atacar os chefes dos Executivos estaduais, insinuando, mesmo sem provas, desvio de dinheiro por parte de quem decidiu fechar hospitais de campanha. “Será possível que governador usou a pandemia para roubar o povo?”, escreveu Eduardo, nas redes sociais.

Hospitais de Campanha

O hospital de campanha construído pelo Governo federal no município de Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal, foi inaugurado em junho de 2020 e fechado em outubro do mesmo ano, sob o argumento de queda no número de pessoas infectadas. A unidade de saúde contava com 200 leitos exclusivos para pacientes com Covid-19 e era esperança para a população local, que precisa se deslocar para o DF em busca de atendimento.

Por sua vez, os oito hospitais de campanha que existem em Goiás continuam abertos. Eles são de concreto e, juntos possuem 1.221 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e de enfermaria. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), todas as unidades serão mantidas após o fim da pandemia.