Rádio 730: “Se dinheiro recuperasse caráter, a reforma deveria ser feita nos vereadores”

Veja editorial da Rádio 730 sobre a reforma que o presidente Clécio Alves quer fazer na sede da Câmara de Goiânia:

 

A reforma deveria ser feita nos vereadores, não na sede

A cidade de Goiânia não tem motivos para se orgulhar de seus vereadores. Ontem, pressionados pelo Executivo, muitos retiraram a assinatura do requerimento para abertura de uma Comissão Especial de Inquérito, proposta pelo vereador Elias Vaz, para investigar os altos salários da prefeitura. É também do legislativo municipal a vergonha de rejeitar a proposta que obrigava os vereadores a registrar, por meio de ponto eletrônico, a presença nas sessões ordinárias em três dias da semana. É praxe na Casa nunca se posicionar contra o prefeito Paulo Garcia e muito menos contra as próprias regalias e benefícios.

O fato é que os vereadores estão sempre contra o povo que os elegeu. Ontem, em reunião fechada, eles decidiram reformar o prédio da Câmara, que data de 1998. Ou seja, tem apenas 15 anos e custou aos cofres públicos, à época, R$ 5 milhões, incluindo móveis e equipamentos.

A primeira proposta era para se construir uma nova sede ao custo inicial de R$ 60 milhões. A ideia é tão estapafúrdia que assustou até mesmo os nobres edis, que a rejeitaram. Mas não em troca de nada. Decidiram gastar R$ 15 milhões – três vezes mais do que o custo da obra – para reformar a casa de leis do município.

Apenas os vereadores Paulo Magalhães, Djalma Araújo, Tayrone Di Martino, Felizberto Tavares e Pedro Azulão Junior teriam rejeitado a gastança suspeita do dinheiro público. Todos os outros teriam sido favoráveis ao projeto apresentado pelo presidente Clécio Alves. Essa é a informação extraoficial porque o que de fato aconteceu na reunião secreta não foi divulgado.

Essa é a oitava vez que o presidente Clécio Alves convoca reunião fechada para tratar de assuntos secretos, ignorando que a atividade parlamentar – que nasceu em praça pública na Grécia antiga – tem como principal caraterística a participação popular. Diferente do Executivo e do Judiciário, que decidem dentro dos gabinetes.

As portas fechadas denunciam o que de fato ocorre entre as quatro paredes: negociatas e maracutaias que têm como objetivo beneficiar alguns em detrimento do povo. Dessa vez, decidiram a favor do gasto desnecessário com uma reforma suspeita. E para melhorar a imagem da câmara, tão desgastada com tantas falcatruas, decidiram também gastar R$ 4 milhões com publicidade.

Se dinheiro recuperasse caráter, a reforma deveria ser feita nos vereadores. Não na sede.