Paulo Garcia nega ser candidato a governador em 2014, mas age como se fosse

A contradição salta aos olhos e ouvidos de quem acompanha os passos e as entrevistas do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT). Ao mesmo tempo que afirma não ser candidato a governador em 2014, o petista age como se fosse – provocando o debate e, acima de tudo, gerando fatos que têm, como objetivo, polarizá-lo com o governador Marconi Perillo (PSDB).

Primeiro exemplo disso foi o balão de ensaio que Paulo criou o factóide da municipalização do sistema de água. Paulo e o vice-prefeito, Agenor Mariano (PMDB), puseram em xeque o abastecimento de água e esgoto realizado pela Saneago – empresa estatal. A municipalização foi estratégia já utilizada pelo ex-prefeito Adib Elias (PMDB) em Catalão para demonstrar que não precisava do governo para administrar a cidade.

Em seguida, Paulo e Agenor colocaram pontos de interrogação sobre o projeto de construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que é patrocinado pelo governo do Estado e vai cortar a cidade de leste a oeste, pelo eixo Anhanguera. Paulo afirmou que ia constituir uma comissão paralela para discutir o VLT. O objetivo por trás da manobra: tumultuar a obra, que será importante no debate sucessório de 2014.

Paulo diz que não, mas acalenta dia e noite o sonho de ser candidato a governador. Vê que, no futuro, dificilmente encontrará cenário mais propenso à sua postulação: é prefeito reeleito, pertence a um partido que administra duas das três principais cidades de Goiás (Anápolis e Goiânia) e aposta no desgaste de Marconi.

Rubens Otoni (PT), principal deputado federal da sua legenda, tem uma avaliação semelhante do quadro atual. Por isso veio à imprensa dizer que não existe o propalado acordo entre PT e PMDB para que se revezassem na cabeça de chapa em 2012 e 2014. Se o acordo existisse de verdade, agora seria a vez do PMDB.

Mas que, no PMDB, tem estrutura suficiente para encarar a empreitada? Apenas Iris, e com ressalvas: sua idade avançada impede extravagâncias físicas que uma campanha política naturalmente exige. Samuel Belchior, Daniel Vilela e Bruno Peixoto são promessas para o futuro, mas nada além disso. O tempo dirá se os cálculos de Paulo estavam certos.

O prefeito está fazendo a parte dele para se viabilizar, mesmo que diga que não.