“Hoje, quem governa o Brasil é a reeleição”, diz Aécio Neves

(Publicado no site Brasil 247: www.brasil247.com.br)

O senador Aécio Neves cumpriu a palavra e, num discurso duro, enumerou o que considera serem os 13 fracassos do PT no dia em que o partido da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula comemora dez anos de poder. “O PT jamais valorizou a estabilidade da moeda”, disse Aécio. “O PT tem demonstrado a falta de capacidade de reconhecer, com generosidade, que outros governos também tiveram méritos”, completou. “O PT é incapaz de fazer autocrítica”, acrescentou o ex-governador de Minas. Para ele, a gestão atual é falha, a política econômica é mau conduzida e o País está sofrendo as consequências.

Para o senador Aécio, ao falar da tribuna do Senado, os 13 fracassos da gestão de dez anos do PT no poder central são os seguintes:

1º – Biênio perdido de crescimento do PIB;

2º – Caos na infraestrutura;

3º – Desincentivo à indústria;

4º – Falta de compromisso com a estabilidade da moeda;

5º – Criatividade contábil, que esconde erros da política econômica;

6º – Destruição do patrimônio nacional, com a derrocada das estatais, em especial a Petrobras. “Como a Petrobras pode valer hoje menos que a empresa petrolífera da Colômbia?”, perguntou;

7º – Implosão da riqueza do etanol, em nome do mito da autossufiência de petróleo e combustíveis. “Mas hoje somos compradores de derivados e importamos etanol dos EUA”, sublinhou;

8º – Falta de planejamento e risco de apagão no setor elétrico. “Esse risco só não é maior porque o parque termoelétrico herdado do governo Fernando Henrique Cardoso, tão combatido pelo PT, está em pleno funcionamento”.

9º – Desmantelamento administrativo. “Caminhamos rapidamente para sermos um Estado unitário. O governo assiste passivamente o conflagramento entre Estados e regiões, como se não tivesse nada a ver com isso”;

10º – A insegurança pública e o flagelo das drogas. “Apesar da maciça propaganda oficial, 87% de tudo o que é investido em segurança pública vem dos cofres municipais e estaduais. No ano passado, apenas 25% dos R$ 3 bilhões destinados à Segurança Pública foram efetivamente investidos. Essa omissão é inaceitável”, completou Aécio. “Essa omissão faz aumentar o alarmante consumo de crack pelo País”.

11º – Descaso com a Saúde e a Educação. “O governo federal negou-se a contribuir com dez por cento de suas receitas para apoiar os esforços de estados e municípios em Saúde”, afirmou. “Das 6 mil creches prometidas pela atual presidente em sua campanha, apenas sete, se-te foram entregues no final de 2012”;

12º – Autoritarismo. “A grande verdade é que o governo petista não dialoga, reduzindo esta casa apenas à condição de homologadora de medidas provisórias”, afirmou;

13º – A complacência com os maus feitos. “Ao transformar a ética como compromisso menor da ação política, o PT presta um desserviço às atuais e futuras gerações”, disse.

Para Aécio, “é intolerável a apropriação indevida de rede de televisão para atacar adversários”, em referência ao último discurso da presidente Dilma Rousseff em rede nacional. “É intolerável a perseguição a uma cidadã que nos visita”, completou, tratando da visita da blogueira cubana Yoani Sanchez.

O senador abriu o discurso assim: “Qual é o PT que aniversaria hoje?”, perguntou. “Todas as vezes que o PT precisou optar entre o PT e o Brasil, o PT ficou com o PT”, disse, citando o não voto do partido em Tancredo Neves, no colégio eleitoral de 1984, a negação da Constituinto de 1988 e o boicote à presidência de Itamar Franco

Aécio Neves recebeu num aparte do senador Lindbergh Farias (PT-RJ). “Seu discurso não é competitivo para um  candidato a presidente”, disse ele. “Em meia hora, o sr. não usou uma vez sequer as palavras ‘povo’, ‘inclusão social’, ‘combate à miséria’, ‘gente’ ou ‘emprego’.

A resposta foi dada num pedido de intervenção feito pelo líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira. “O senador Aécio fez uma dissecção perfeita dos males do PT, um diagnóstico de alto nível”, afirmou. “Não foi um discurso de candidato. As eleições virão, mas agora essa análise foi excelente. Em todos os momentos o sr. tocou em assuntos que dizem respeito ao povo e, assim, falou do povo”.