Prefeitura de Aparecida falsificou documentos sobre aplicações em títulos podres – como se fosse no Bradesco

A Polícia Federal descobriu que a Prefeitura de Aparecida falsificou documentos de prestação de contas das aplicações do Fundo de Pensão dos Funcionários Municipais: enquanto depositava R$ 9 milhões na Adinvest, um fundo fajuto criado especialmente para receber recursos públicos, a Prefeitura fez constar nos documentos encaminhados ao Ministério da Previdência, que fiscaliza o setor, que os R$ 9 milhões haviam sido investidos no fundo Bradesco Top Títulos Públicos.

A revelação está no relatório da Polícia Federal que embasou a Operação Miquéias, quando uma quadrilha que desviava recursos de fundos de pensão municipais foi desbaratada, com o envolvimento de deputados do PMDB de Goiás e de várias Prefeituras, entre elas a de Aparecida e a de Catalão, esta na gestão do PMDB (que se encerrou a 31 de dezembro último).

A aplicação de R$ 9 milhões da Prefeitura de Aparecida no Fundo Adinvest ocorreu a 26 de junho de 2012, mas, conforme a Polícia Federal, as informações repassadas às autoridades previdenciárias pela Prefeitura diziam que o dinheiro estava investido no Bradesco.

Outro fato grave: a Prefeitura de Aparecida desrespeitou a lei dos fundos de pensão, que estabelece que o teto máximo para um investimento, em qualquer fundo, não pode ultrapassar o limite de 25% do patrimônio total desse fundo. No caso do Adinvest, a Polícia Federal constatou que, ao depositar R$ 9 milhões, a Prefeitura de Aparecida passou a ser detentora de mais 50% do patrimônio do fundo, o que é ilegal.

Em poucos meses, a aplicação da Prefeitura de Aparecida contabilizou um prejuízo de R$ 1.449.449,06 – conforme aponta o relatório da Operação Miquéias.

E mais: a Polícia Federal conclui que a Prefeitura de Aparecida fez esse “investimento” a mando da organização criminosa.

 

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