Com voz embargada, Samuel ataca imprensa e nega intimidade com a moça que ele chama de “Lu”

Dez dias depois de deflagrada a Operação Miqueias, o deputado estadual Samuel Belchior (PMDB) subiu à tribuna para explicar o seu envolvimento com a organização criminosa que desviou R$ 300 milhões de fundos de previdência municipais.

O discurso teve 1.113 palavras, e foi feito no improviso. Com a voz embargada, o deputado concentrou-se em ataques à imprensa, a quem acusou de ser “sensacionalista” na cobertura do escândalo, e negou ter intimidade com Luciane Hoepers, a loira de atributos superlativos a quem ele chama de “Lu” nas ligações gravadas pela Polícia Federal.

Samuel começou o discurso se apresentando. Apresentação desnecessária, dada a ampla divulgação que a sua fotografia ganhou na mídia local e nacional desde que a operação foi deflagrada.

Seguiu-se uma descrição emocionada dos fatos que se sucederam no dia 19 de setembro em sua residência, no Setor Jaó. O deputado conta que levou os filhos para casa vizinha de modo a poupá-los da operação de busca e apreensão que uma delegada e dois agentes haveriam de executar. “É uma experiência humilhante, que não desejo a nenhum dos meus adversários”. Contou que, além da busca e apreensão, ele teve carros apreendidos.

O deputado afirmou que nunca teve intimidade com Luciane Hoepers, a quem chama de Lu, e foi vaiado pelas pessoas que acompanhavam a sessão nas galerias da Assembleia.

“Objetivo era atingir minha família. Minha esposa é humilhada há mais de dez dias. Puseram que eu era íntimo da moça porque eu a chamava de Lu”, choramingou Samuel.

A cobertura da imprensa mereceu amplo destaque no pronunciamento. O deputado considerou-a “sensacionalista” e desleal. Culpou os jornalistas por atribuir a ele um suposto relacionamento com a loiraça e disse que não é crime apresentar uma pessoa a outra.

“Sou alvo do maior sensacionalismo que mídia pode produzir pegando pequenos trechos e tirando daquilo uma interpretação como se fosse a verdade dos fatos”. E avisou apelou ao sentimento de cumplicidade dos colegas deputados: ” Senhores, cuidado. Hoje é comigo, amanhã pode ser com qualquer um de vocês”.

Samuel atribuiu a exposição na mídia ao fato de ser oposição ao governo estadual e insinuou que o governo é o único interessado em massacrá-lo. E finalizou: “Me mantive uma semana em silêncio para recompor minha família. Fui atingido, estou ferido, muito ofendido, estou mancando, mas já voltei a andar .Eu sou novo, mas conheço o jogo.”

Resumo da ópera: falou, falou, falou e não disse nada.