SMT reduz carros de atendimento a acidentes e reforça indústria da multa

Patrícia Veras, titular da SMT: gestão desastrosa
Patrícia Veras, titular da SMT: gestão desastrosa

Recém-chegada a Goiânia de São Paulo, a  nova secretária de Trânsito da Capital, Patrícia Pereira Veras, decidiu há cerca de duas semanas que apenas cinco carros por turno atendem os acidentes de trânsito sem vítima em Goiânia. Até então, todos os carros realizavam o atendimento.

A decisão da secretária é ruim para o trânsito de Goiânia porque os carros acidentados ficam mais tempo nas ruas atrapalhando o fluxo do tráfego. Incomoda ainda os envolvidos, que têm de esperar mais tempo para serem liberados do imprevisto.

Quem ganha são os cofres municipais. A mudança visa reforçar a indústria da multa em Goiânia. Com isso, praticamente toda a estrutura da SMT está voltada para a arrecadação e o tempo de resposta que era de até 45 minutos chega a durar quatro horas, com até 20 ocorrências aguardando na fila. O Sindicato dos Agentes de Trânsito lamentou a decisão da secretária.

Segundo O Popular, os agentes de trânsito da Capital reclamam que, por conta da demora, eles acabam sendo maltratados pelos motoristas que sofreram os acidentes e chegam a até sofrer agressões verbais. “Eles ficam lá por muito tempo no local, perdendo compromissos e descontam tudo na gente, que não tem culpa”, diz um agente, que preferiu não ser identificado, de acordo com a reportagem de O Popular. Segundo ele, apenas um carro de cada região da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) – Sul e Campinas – pode fazer o atendimento por turno. Além dessas, há o apoio de quatro carros da Justiça Móvel.

Veja a matéria completa, veiculada na edição desta segunda-feira pelo jornal O Popular:

Trânsito

Mudança da SMT atrasa atendimento a acidentes

Agentes apontam demora de até quatro horas para registro de ocorrência. Secretária justifica medida com aumento na fiscalização

Vandré Abreu 18 de março de 2013 (segunda-feira)

Acidente na capital: atendimento pode demorar até 4 horas

Há cerca de duas semanas, por decisão da secretária municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade, Patrícia Pereira Veras, apenas cinco carros por turno atendem os acidentes de trânsito sem vítima em Goiânia. Até então, todas os carros realizavam o atendimento. Com a mudança, o tempo de resposta que era de até 45 minutos chega a durar 4 horas, com até 20 ocorrências aguardando na fila. Segundo a secretária, a mudança privilegia a coletividade e o trânsito em detrimento de beneficiar apenas os envolvidos em acidentes.

Os agentes de trânsito da capital reclamam que, por conta da demora, eles acabam sendo maltratados pelos motoristas que sofreram os acidentes e chegam a até sofrer agressões verbais. “Eles ficam lá por muito tempo no local, perdendo compromissos e descontam tudo na gente, que não tem culpa”, diz um agente, que preferiu não ser identificado. Segundo ele, apenas um carro de cada região da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) – Sul e Campinas – pode fazer o atendimento por turno. Além dessas, há o apoio de quatro carros da Justiça Móvel, com um motorista, um conciliador e um agente de trânsito.

As equipe da Justiça Móvel não trabalham no intervalo para o almoço, entre as 12 e às 14 horas nem depois das 18 horas. Os dois horários são considerados os de maior pico no trânsito da capital e nos quais há a maior ocorrência de acidentes. Ainda de acordo com o agente de trânsito, antes da medida da secretária, o máximo de acidentes sem atendimento na espera que havia ocorrido era o de 5, mas agora a lista já chega a 15 e até a 20. Para os agentes, a decisão da secretária foi feita para que os motoristas desistam das ocorrências e façam tudo posteriormente.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes de Trânsito de Goiânia (Sinatran), Clauber Maia, a entidade não foi informada oficialmente sobre qualquer mudança na SMT a respeito de operações em acidentes sem vítimas. Ele confirma que já recebeu reclamações de agentes de trânsito a respeito do caso. “Muitos reclamam que o tempo de atendimento que antes era de até 30 minutos mais que dobrou. Eles dizem que chegam a ser agredidos verbalmente, pois os motoristas acham que os agentes são os culpados pela demora”, alega o presidente.

Coletividade

Apesar de não ter sido informado oficialmente, Clauber Maia alega que, se houve essa determinação da secretária, a decisão é lamentável. “A SMT é de utilidade pública e deve oferecer esse serviço ao cidadão, se realmente se confirmar é preocupante.” Patrícia Veras se utiliza do mesmo argumento em relação a ser uma utilidade pública para justificar sua decisão. Ela conta que avaliou o trabalho dos agentes, cerca de 300 na capital, desde que chegou a Goiânia e percebeu que 80% do tempo de trabalho deles era para atender acidentes sem vítimas.

Com isso, argumenta a secretária, a organização e a fiscalização do trânsito na capital não era realizada. “Os agentes só se ocupavam com os acidentes sem vítimas e quando havia algum problema, como a queda de algum semáforo, não tinha nenhum para organizar o fluxo”, diz Veras. “A SMT estava desassistindo a comunidade em prol de uma ou duas pessoas que se envolveram em acidente.”

Como fazer

Presença de agente de trânsito não é necessária para registrar caso:

■ Os condutores são obrigados, com base no Código de Trânsito Brasileiro (CBT), a retirar da pista os veículos que participaram do acidente

■ O motorista deve colher o máximo de informações sobre o ocorrido, como informações a respeito dos demais condutores e de seus veículos, como placas, telefones e nomes

■ Os motoristas de veículos segurados devem acionar a seguradora que, a partir de então, tomam conta das providências, caso o contrato tenha essa prerrogativa

■ O motorista não deve mandar consertar seu carro antes de realizar a ocorrência, pois os pontos que sofreram impacto têm de passar pela perícia

■ Assim que possível, os motoristas devem se encaminhar a uma delegacia de trânsito ou à Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) para a realização do Boletim de Ocorrência

 

O QUE DIZ O CTB:

■ Art. 178. Deixar o condutor, envolvido em acidente sem vítima, de adotar providências para remover o veículo do local, quando necessária tal medida para assegurar a segurança e a fluidez do trânsito:

Infração – média

Penalidade – multa.