Dívida do Estado: Hélverton Baiano corrige post de F. Pulcineli em rede social

A jornalista Fabiana Pulcineli postou nas redes sociais, em tom de denúncia e espanto:

Seis Estados comprometerão mais de 11,5% da receita com pagamento de serviço da dívida nos próximos 10 anos. Goiás é um deles, segundo matéria do Valor Econômico.

Goiás terá pico de 16,33% da receita em gastos com serviço da dívida. Vocês têm noção?

O jornalista Hélverton Baiano, que trabalha na assessoria de Imprensa do governo do Estado, é também é muito bem informado, corrigiu e deu uma aula sobre o assunto para Fabiana.

Veja:

Hélverton Baiano

Antes de qualquer crítica, é preciso verificar, tecnicamente, como foram realizadas essas dívidas e desde quando elas vêm sendo feitas. Acho que não há culpados nisso aí, porque todo Governo quer dinheiro novo (empréstimo) para fazer obra. No governo FHC houve uma renegociação e amenizou um pouco o porcentual pago pelos Estados. Os governadores agradeceram. O grande problema disso aí é que os índices nos quais são indexadas as dívidas mudam muito. O que é bom hoje pode não ser amanhã. Hoje, já há uma grita aí pedindo a troca de índice. O atual Governo de Goiás adquiriu uma capacidade de endividamento (diminuindo o porcentual dívida/receita. Em 1997 era de 3,52. Em 2010 foi de 1,137; em 2011, de 1,08, em 2012, de 1,02 e até maio deste ano estava em 0,94). O Governo conseguiu atualmente um lastro para R$ 7,7 bilhões em empréstimo. Segundo o ex-secretário da Fazenda, Simão Cirineu, de quem ouvi por último uma explicação sobre o caso, o Governo goiano conseguiu R$ 7,1 bilhões em empréstimos. (Ele escreveu um artigo no jornal O Popular sobre isso há uns dois meses). Grande parte desse recurso foi destinado à troca de dívida antiga e com juros maiores (dívida mais cara) por uma dívida nova, com juros menores e de 5 a 7 anos de carência. Essa é uma operação inteligente e menos dispendiosa para o Governo do Estado. A tendência é esse comprometimento com pagamento da dívida ir diminuindo. A previsão que tenho ouvido é a de que chegue em 2020/21 com um comprometimento de aproximadamente 5% da receita com o pagamento da dívida, o que vai coincidir com o término das carências dos atuais empréstimos.