O Popular, que carrega a mão em Talles Barreto, volta a afirmar que Samuel Belchior foi só “apontado” no inquérito da PF. Não, ele foi indiciado mesmo

Em uma das matérias da cobertura de três páginas desta sexta-feira sobre a Operação Tarja Preta, O Popular menciona de passagem a Operação Miqueias e diz que o deputado estadual e presidente do PMDB goiano, Samuel Belchior, foi “apontado” como lobista pelo inquérito da Polícia Federal que desbaratou um esquema de desvio de recursos de fundos previdenciários municipais.

O jornal, o mais importante do Estado, mostra assim que continua brando e ameno com Samuel Belchior. A verdade é que o deputado peemedebista não foi “apontado”, ele foi “indiciado” pela prática dos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa pela Polícia Federal, que pediu a sua prisão temporária e os bloqueio dos seus bens.

Em matérias sobre a Operação Miqueias, muitas das quais redigidas pelo jornalista Caio Salgado, que foi assessor de imprensa de Samuel, O Popular sempre minimizou o envolvimento do deputado e presidente do PMDB. Ora se dizia que ele fora “citado”, ora “mencionado”, ora “envolvido” e, agora, “apontado”. “Indiciado”, nunca. Aliás, o jornal chegou a negar o indiciamento, em matéria da jornalista Márcia Abreu.

O caso do deputado Talles Barreto e a Operação Tarja Preta, pelo menos diante das informações divulgadas até agora pelo próprio O Popular, é bem diferente. Não apareceram ainda provas contra o deputado nem o inquérito do Ministério Público indicia o parlamentar nem muito menos foram solicitadas à Justiça quaisquer medidas coercitivas contra ele. Mas O Popular faz um escarcéu muito maior do que fez com Samuel Belchior.

Talles, de fato, é “citado” na Operação Tarja Preta, ao contrário de Samuel Belchior, que foi “indiciado” pela Operação Miqueias. Não há até agora gravações telefônicas comprometedoras tendo Talles como interlocutor, bem diferentes dos grampos em que Samuel Belchior aparecia chamando uma operadora da quadrilha de “chefa” e afirmando que “estou trabalhando bonito proceis”.