Rádio 730: Pesquisa Serpes destroça Jr. Friboi e embola Iris Rezende com Vanderlan

Veja análise da rádio 730 sobre os resultados da pesquisa Serpes/O Popular:

 

Pesquisa Serpes destroça Friboi e embola Iris com Vanderlan

Última atualização em Domingo, 27/10/2013 16:29h

O grupo JBS, que recebeu R$ 14 bilhões em dinheiro federal do BNDES e deve R$ 1 bilhão e 300 milhões em impostos para o Estado de Goiás, garganteia que sua propaganda é uma das mais lembradas do Brasil. Anunciam aumento de 30% nas vendas depois de o ator Tony Ramos aconselhar que em açougues e supermercados a clientela “Peça Friboi”. A publicidade não funcionou para a política. Mais bronco da família dona do JBS, José Batista Júnior deixou suas parcas funções na empresa para tentar ser candidato a governador de Goiás. Neste domingo, o instituto Serpes divulga pesquisa destroçando o imperador da proteína, transformando sua picanha em pelota de sebo. O Serpes indica que o eleitor não pediu Friboi. De 14 de julho a 25 de outubro, quando o instituto fechou o levantamento, Júnior perdeu mais de metade de seu eleitorado.

Júnior tinha ridículos 4,7% e caiu para míseros 2,1% na modalidade estimulada, quando o pesquisador apresenta uma cartela com as alternativas. Na pesquisa espontânea, na qual o pesquisado diz o nome que lhe vem à cabeça, Friboi atola a vaca em 1,5%. Em todos os casos, o bilionário terminou a rodada negativado, pois a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Significa que Júnior deve mais para o eleitor que para o BNDES: débito de 2% na espontânea e 1,4% na estimulada. Seu único desempenho superior à margem de erro é na rejeição: tem cinco vezes mais goianos que não votariam em Júnior Friboi nem na marra do que seu público fiel. Em números: 7,1% o rejeitam e 1,5% o escolhe.

A boa notícia para Júnior é que ele não é o único integrante do PMDB enxotado pelos goianos. Iris Rezende passou 55 anos juntando gente e na pesquisa de julho tinha 14,5% dos votos espontâneos. Na deste domingo, Iris está com 5,6% ou 2,1% acima da margem de erro. Esperava-se mais, até porque quem está lambendo-lhe a nuca, primeiro atrás dele na fila, é Vanderlan Cardoso, com 4,7% na espontânea e subindo na estimulada. O único cargo de Vanderlan foi prefeito de Senador Canedo. Iris teve seis mandatos majoritários (dois de governador, três de prefeito de Goiânia e um de senador). E ambos estão embolado: Iris deu ré a menos de 1% de Vanderlan, mais precisamente, a 0,9%.

Marconi seria reeleito no 1º turno
Longe das eleições, pesquisa quantitativa como a do Serpes tem o mesmo valor de um risco na poluída água do Rio Meia-Ponte. Nenhum. O que se aproveita dela é a modalidade espontânea, que mostra a maioria do eleitorado indecisa: 62,2% não têm candidato (8,4% dizem que não vão votar “em nenhum” e 53,8% “não sabem”). Dos 37,8% restantes, Marconi Perillo fisga 20,5%. Ou seja, commais de metade do eleitorado, seria reeleito no primeiro turno.

A distância entre Marconi e seus dois adversários de verdade, Iris Rezende e alguém do PT, é humilhante: quatro vezes mais goianos disseram espontaneamente que estão com Marconi que com Iris; no caso dos prefeitos petistas, Antônio Gomide (Anápolis) e Paulo Garcia (Goiânia), a balaiada vira sabinada, de 20,5% a 0,9% ou a 0,1%. São mais de 2.000% acima do melhor classificado no PT.

Entre Marconi e os petistas estão Vanderlan, Caiado, Friboi e Maguito Vilela, Alcides Rodrigues, Otavinho Lage e até José Éliton. Como cada partido só pode ter um candidato a governador, ficam eliminadas as duplicidades. Sobram Caiado e Vanderlan, que não têm capilaridade, racharam a tal Via Alternativa e vão lamber embira cada qual em seu canto. Vão murchando até virar balão enrugado. Adversário com chance contra Marconi tem de sair do PMDB e do PT, de preferência com os dois partidos juntos, o que virou pesadelo e ninguém mais aventa a possibilidade – só creem nisso a presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, que, alheios à política goiana, garantiram a Friboi que ele representará as duas siglas como candidato a governador. Nem Joesley Batista, o inteligente do grupo JBS, acredita nisso.
Gomide tem menos votos para governador que para prefeito
Antônio Gomide está aquém da expectativa, pois 0,9% para governador é algo como 40 mil votos no Estado inteiro. Um ano atrás, Gomide teve167.196 votos, quase 90% do eleitorado anapolino. Em 12 meses, perdeu ¾ de seu público. Pode estar ocorrendo com Gomide em 2014 o mesmo efeito de 2010: o povo o quer à frente da prefeitura, não tentando o governo. Na eleição passada, mesmo com Gomide no palanque, Marconi arrasou Iris em Anápolis nos dois turnos: 112.283 a 38.706 no primeiro e 124.173 a 42.701 no segundo.

Pior foi Paulo Garcia, também reeleito em primeiro turno na Capital. No Serpes, Paulo aparece com cinco vezes menos votos que Alcides Rodrigues, que saiu do governo enxotado pela baixíssima popularidade. Paulo consegue empatar com o deputado estadual Valcenôr Braz (Luziânia), com José Gomes da Rocha (Itumbiara) e Adib Elias (Catalão), três políticos do interior que nem prefeitos são mais.

Os líderes crescem, menos Gomide
Dos cinco melhores na pesquisa Serpes, apenas o prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, perdeu eleitores. O governador Marconi Perillo, primeiro colocado, subiu 1,5%, para 27,2%; Iris, 1,1%, para 25,6%; Vanderlan deu um pulinho maior, de 9% para 11,5%; Ronaldo Caiado, incensado após Marina Silva o defenestrar, se mexeu de 6,5% para 7,2%. Já Gomide, que havia se saído mal, piorou: andou para trás de 6% para 5,4%. Até o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, que há dez meses está em campanha para se espatifar, cresceu de menosprezante 1,5% para menosprezável 1,9%. Na modalidade tombo, no entanto, ninguém se compara ao fracasso Júnior Friboi, aquele que fez churrasco da maioria de seus eleitores: de 4,7% para 2,1%.

Cenários enterram Friboi
O jornal O Popular, que publicou a pesquisa Serpes, fez quatro quadros com cenários possíveis de trios de candidatos. O mais equilibrado é quando Marconi, Iris e Vanderlan se enfrentam: Marconi ganha de 33,6% a 31,6% para Iris e 15,9% para Vanderlan. Nas duas hipóteses de José Batista Júnior (O Popular o chama assim) substituir Iris, o eleitor enterra o coração de boi na curva do rio, que é onde moram traíras: Friboi é esmagado por Vanderlan de 23,5% a 5% (nesse caso, Marconi pisaria em ambos com 41,1%); e de 36,5% a 7,5% (sem Marconi, trocado pelo atual vice, José Éliton, que seria demolido com 4,5%).