Imprensa de Goiás consagra o gênero “entrevista oba-oba”, que não tira nada de interessante dos entrevistados

Os leitores goianos estão sendo penalizados pelos jornalistas que entrevistam os políticos, em Goiás, e não fazem os questionamentos mínimos que cada situação exige.

Assim foi, por exemplo, com o repórter de O Popular, Caio Salgado, que fez uma entrevista de uma página com o seu ex-chefe Samuel Belchior, envolvido até os cabelos com a operadora de uma quadrilha que fraudava fundos previdenciários municipais. No calor do escândalo, Caio fez mais de 10 “perguntas” levantando a bola para Samuel chutar a gol e não esclareceu nada das estrepolias do deputado, flagradas pela Polícia Federal e definidas como prática de crime de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Neste domingo e nesta segunda, os jornais Diário da Manhã e Tribuna do Planalto trouxeram entrevistas, cada uma com duas páginas, com os pré-candidatos oposicionistas Iris Rezende e Vanderlan Cardoso. Apesar de mobilizar quase uma dezena de jornalistas, os dois veículos publicaram longos textos de perguntas e respostas, sem nenhum espírito crítico ou questionamento para as afirmações de Iris e Vanderlan – que, obviamente, falaram o que quiseram, sem ser incomodados.

É o gênero “entrevista oba-oba” sendo consagrado pelos jornalistas goianos, com preguiça de pensar e mostrando uma enorme coragem para se expor perante a opinião pública com uma postura profissional frouxa – a mesma coragem que faltou na hora de questionar os entrevistados.