Artistas apontam Marconi como o melhor governador para a cultura, diz DM

Qual o governador que mais prestou serviços à área cultural? O Diário da Manhã, neste final de semana, em ampla reportagem, mostrou, através do depoimento das maiores personalidades da cultura do estado, que foi Marconi Perillo.

Conforme o texto, não dá outra: “É preciso que se diga: Marconi Perillo é um rapaz muito bom, que investe em cultura”, disse Bariani Ortêncio, um dos goianos que pode ser indicado para concorrer a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Os elogios vieram de todas a partes: do editor Antônio Almeida, do agitador cultural PX Silveira, do Getúlio Targino Lima (presidente da Academia Goiana de Letras (AGL). Enfim, alguns dos principais representantes da produção literária do Estado.

O motivo dos elogios refere-se a nova iniciativa de Marconi, que deseja construir um Memorial Bernardo Élis, em Corumbá de Goiás.

Marconi, um devorador das obras de Bernardo Élis, lançou a ideia e foi apoiado pelo segmento. O Memorial visa resgatar “Bernardo de uma segunda morte”, como disse o poeta Gabriel Nascente.

Os artistas costumam apontar Marconi como o governador da cultura por um simples motivo: foi o que mais investiu na área. Marconi Perillo instituiu o Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica), o Festival Internacional de Música de Goiás (Figo), o Canto da Primavera, Bienal do Livro, construiu o Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON), dentre outras ações, como reformas do Teatro Goiânia e Teatro Martim Cererê, além de apoiar apresentações internacionais da orquestra do Estado e do corpo de balé.

A mais recente ação é a Villa Cultural, que tem como meta ajudar na revitalização do Centro de Goiânia. Neste ano, Marconi Perillo concentrou esforços e articulou a vinda do Sir Paul McCartney – considerado já o maior evento cultural da história do Estado. Nenhum evento cultural deu tanta visibilidade aos goianos. O show de Paul repercutiu no The Observer, Time, El Pais, The Sun, e várias outras mídias internacionais. A cena do gafanhoto no ombro de Paul foi incluída no videoclipe da música de trabalho do novo disco do ex-beatle.

Veja matéria:

Intelectuais goianos querem restos mortais de Bernardo Élis em Goiás

Escritor e único goiano a fazer parte da Academia Brasileira de Letras (ABL) foi enterrado no Rio de Janeiro. Autores goianos e produtores culturais elogiam governador Marconi Perillo que prepara memorial em sua homenagem

Welliton Carlos

A proposta do governador Marconi Perillo construir um memorial em homenagem ao escritor Bernardo Élis (1915-1997), em Corumbá de Goiás, é bem recepcionada por intelectuais e escritores goianos. Conforme o governador, a ideia é usar o “Memorial Bernardo Élis” para homenagear “Goiás e a cultura goiana”.

Nesta semana, o Diário da Manhã publicou extensa reportagem sobre a possibilidade de construção do memorial. O governador informou ao DM que existe interesse da administração pública em homenagear o escritor.
A família de Élis também se mostra desejosa que ocorra alguma ação em torno da imagem do autor de “Ermos e Gerais” e “O Tronco”. Um memorial seria espaço de culto de seu espólio literário – considerado um dos mais robustos entre os goianos.

A iniciativa do governador é celebrada por Bariani Ortêncio, que elogia Perillo por sua disposição em apoiar e reverenciar a cultura goiana. “É preciso que se diga: Marconi Perillo é um rapaz muito bom, que investe em cultura”. A homenagem chega tarde, diz Bariani. “Está passando da hora”, afirma o folclorista.

Conforme Bariani, é necessário trazer os restos mortais de Bernardo para que descansem em definitivo na terra natal. “Mas ele próprio desejou ficar no Rio de Janeiro, onde funciona a Academia Brasileira de Letras (ABL)”, diz Bariani, que acredita que Bernardo errou quando pediu que fosse enterrado na capital carioca.

Valterli Guedes, presidente da Associação Goiana de Imprensa (AGI), é outro que celebra a ação do governador e da família de Élis em tentar prestar homenagens ao escritor. “É justa a homenagem. Mas temos que ter os restos mortais dele aqui. Pois lá na academia é uma visita coletiva”, afirma Valterli, que sugere no futuro memorial a venda de livros, camisetas e souvenirs que facilitem a penetração da ampla cultura de Élis nas camadas mais populares e entre os mais jovens.

Cora Coralina

O poeta Gabriel Nascente diz que existe uma grande desídia estadual em referência ao seu maior escritor. Nascente diz que ocorre uma cultura de memória em torno de Cora Coralina, mas os intelectuais e populares acabam se esquecendo da amplitude de Bernardo Élis. “A pior morte é a morte do esquecimento. Goiás precisa reverenciar esse homem. Não me recordo de nada relevante que foi feito em sua homenagem”, diz Gabriel.

Quando vivo, Élis teve ampla penetração nos círculos literários nacionais. Mário de Andrade disse que o goiano “tem a qualidade principal pra quem se aplica à ficção: o dom de impor na gente, de evidenciar a ‘sua’ realidade, pouco importando que esta ‘sua realidade’ seja ou não o real da vida real….criando aquela realidade mais real que o real, que é do melhor espírito e força da ficção”.

Em 1966, Élis conquistou o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (1966), com a obra “Veranico de Janeiro”. Seu conto “A Enxada” é considerado um dos mais importantes do gênero no Brasil.

Monumento

Marconi Perillo espera unir os interesses da família do escritor ao desejo da classe cultural e artística de Goiás, além das possibilidades financeiras do Estado, e criar o espaço para cultivo da memória de Bernardo. “A obra de Élis é fundamental para compreender Goiás”, disse Marconi ao DM.

O governador explica que existe já o interesse na própria população de Corumbá de Goiás em construir um centro cultural que faça um memorial do nascimento e conquistas do escritor de Goiás. Marconi Perillo especula o modelo do palácio arquitetônico, que deve atender ao estilo e preferências do escritor.

Para a construção é necessário um amplo debate público e, por fim, a elaboração de uma lei com dotação orçamentária e estruturação da entidade jurídica que cuidará do memorial.

Não é a primeira homenagem a Bernardão

O editor e empresário Antônio Almeida, essencial para abrir as portas da publicação a inúmeros escritores goianos, engrandece a atitude do governador Marconi Perillo em buscar mecanismos para a preservação da memória de Bernardo Élis.

Almeida faz questão de ressaltar que o governador prestou este serviço em outras ocasiões: “Não é a primeira vez que Marconi exalta a figura desse gigante da literatura brasileira e adota medidas concretas para imortalizar a sua obra e memória. A primeira Bienal do Livro de Goiás, ocorrida em 2005, na segunda gestão do governador foi dedicada justamente a homenagear o nosso Bernardão”.

Almeida diz que o prédio da biblioteca do Centro Cultural Oscar Niemeyer, com cerca de dez mil metros quadrados de área, idealizado e inaugurado pelo governador, também homenageia Bernardo Élis, juntamente com J.J. Veiga e o historiador e pesquisador Paulo Bertran.

Discernimento

Produtor cultural e presidente do Instituto ArteCidadania, Px Silveira faz um “apelo ao discernimento”. Para ele, a proposta do memorial vem em boa hora e pode tornar também imortal o governador. “A ideia de um memorial a Bernardo Élis é a decorrência natural de sua vida e obra. E essa ideia ser encampada pelo Governo do Estado é a oportunidade que surge na janela da história de Marconi Perillo fazer, por sua vez, uma obra também imortal”.
Px Silveira, entretanto, pede discernimento aos envolvidos, em especial à viúva do escritor, Maria Carmelita. “Este memorial não precisa surgir exatamente na casa onde nasceu Bernardo Élis. Ali basta uma placa de registro”. Px Silveira acredita que o “memorial e a lembrança eterna que ele traz podem se alojar em qualquer lugar do chão goiano, melhor sendo, é claro, em Corumbá, sua cidade natal. Assim, ambos ganham em densidade recíproca e complementar: a história do Bernardo e a história da cidade”.

Descentralização cultural é ação relevante

Maria Elizabeth Fleury Teixeira, presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag), diz que a iniciativa do Governo de Goiás é necessária e atua para descentralizar a oferta de bens culturais.“Esta ideia do governador Marconi Perillo de descentralizar a cultura levando o acervo de Bernardo Élis para sua terra Natal, Corumbá, é justa e certa”.

A presidente da Aflag afirma que a homenagem é, acima de tudo, justa para Corumbá. “A bela e antiga cidade de Corumbá terá mais um motivo para receber os turistas e seu povo o orgulho de ter junto de si a memória deste grande escritor goiano, o primeiro, merecidamente, a usar o fardão da Academia Brasileira de Letras.”

Corumbá estava na retina e coração de Bernardo

Hélio Rocha*

O cenário sui generis formado pelo vale do Rio Corumbá, aquelas ladeiras, o velho casario barroco e a Serra da Bagagem são decorados por quintais que parecem telas impressionistas Neste cenário o escritor Bernardo Élis viveu a infância, a adolescência, curtiu as férias na juventude e perto dali, na chácara entre Corumbá e Pirenópolis, os últimos anos.
Corumbá ficaria na retina, no coração e na inspiração do escritor. Filho do poeta por vocação e comerciante lojista por obrigação, Erico Curado, e de Marieta Fleury Curado, Bernardo não viveu ali em vão. Pois ali ouviu fantásticas histórias e as transformou em fantástica literatura. Ali conheceu personagens fascinantes e criou figuras igualmente intrigantes na sua ficção.

Nhola dos Anjos e o vigário gordo que desafia a mula empacadeira em dois de seus melhores contos existiram sim, assim como existiram personagens inacreditáveis dos filmes do italiano Federico Fellini. Neste caso, é a arte imitando a vida.
Este cenário da rica infância de Bernardo Élis vai ganhar o seu melhor presente, o Memorial do grande escritor. Eis ai a notícia literária mais importante do ano.

Hélio Rocha é jornalista e escritor

Memorial Bernado Élis

Getúlio Targino Lima*

É sempre motivo de alegria, de íntimo regozijo pelo retorno e reforço da confiança nas pessoas a oportunidade que nos é mostrada de saber que se deseja criar um memorial.

O memorial indica respeito à memória, ao passado, aos fatos, aos feitos de instituições e de pessoas.
Erguer-se em Goiás, especialmente em Corumbá de Goiás, sua cidade natal, um Memorial Bernardo Élis é prestar-se as homenagens devidas e o culto merecido a um homem que, na simplicidade de sua fala às vezes trôpega, escreveu com letras inapagáveis textos literários imortais e inscreveu, definitivamente, no circuito dos grandes celeiros, das grandes fontes de águas literárias cristalinas o Estado de Goiás.

Por isto, quando se cultuam a memória e os feitos de Bernardo Elis, erguendo-se-lhe um Memorial, na verdade o que se está levantando é o nome literário do Estado de Goiás, o que se está resguardando é o tesouro literário constituído de suas obras, que não são mais apenas de um corumbaense, ou de um goiano, mas de um brasileiro, cidadão do mundo.
Aqueles que deixam trilhas deste tipo, marcas desta transcendência não foram. Eles são. Daí poder afirmar que Bernardo Élis não foi, ele é.

Quando se perpetua o nome e se abre às novas gerações a oportunidade de conhecê-lo mais de perto e as obras que perpetuaram o seu nome.

Toda nação civilizada do mundo homenageia seus heróis, seus grandes nomes, seus ícones.

Bernardo Élis precisa ser mais lembrado, precisa ser mais conhecido, mais divulgado. E na medida em que o Estado de Goiás se dispõe a marcar definitivamente o sinal de sua passagem, erguendo-lhe um memorial na cidade de seu nascimento, não só está viabilizando o suprimento destas necessidades quanto está colocando ao alcance e à disposição de quem aprecia a arte literária e se compraz em conhecer seus criadores, mormente quando se está diante de um gigante de simplicidade a quem Deus conferiu a missão de destacar Goiás no cenário literário nacional e que, ciente disto, não falhou no cumprimento de seu papel. Por isto, não foi. É Bernardo Élis.

Getúlio Targino Lima é presidente da Academia Goiana de Letras (AGL)