Jornal afirma que em um mês quase nada é aprovado na Assembleia Legislativa

Reportagem assinada pela jornalista Loren Milhomem no jornal O Hoje, deste domingo, diz que deputados estaduais se limitaram a formar comissões temáticas e votar parte dos vetos do Executivo. Em um mês após o início dos trabalhos, os parlamentares não conseguiram apresentar resultados reais à sociedade, afirma Loren no texto.

A reportagem critica o que chama de “baixa produtividade” da Assembleia.

Com a palavra, os excelentíssimos parlamentares.

 

Veja a reportagem na íntegra:

 Em um mês quase nada é aprovado

No primeiro mês do ano legislativo, deputados se limitaram a formar comissões temáticas e a votar parte dos vetos do Executivo

Loren Milhomem

Tempo para formar as comissões temáticas, discussões em torno de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que nem chegaram a ser criadas, falta de quórum para começar a votar os vetos da governadoria e até agressões entre deputados. Um mês e alguns dias após o início dos trabalhos legislativos deste ano e os parlamentares não conseguiram apresentar resultados reais à sociedade. Neste período, algumas matérias começaram a ser apreciadas pelos deputados, mas a demora em formar as comissões técnicas e em votar os vetos do governo prejudicou o desenvolvimento do trabalho na Casa, além da perda de tempo com uma verdadeira guerra de CPIs requeridas pelos dois lados.

A baixa produtividade na Assembleia no primeiro mês de um ano pré-eleitoral e o desequilíbrio demonstrado pela oposição ao não conseguir unir a bancada para compor as assinaturas dos requerimentos de CPIs, sinalizam que o espírito eleitoral ainda não tomou conta de nenhum dos dois lados da Casa. A oposição começou o ano prometendo endurecimento de discurso, união nas proposições e convicta de que, diferentemente dos anos anteriores, deixaria a postura acanhada de lado e se tornaria sólida. Parte da empolgação veio com a debandada de três parlamentares para a bancada. No entanto, os novos colegas não foram suficientes para garantir as mudanças. Com a retirada de duas assinaturas dos requerimentos de CPIs, a oposição iniciou o ano provando que ainda se encontra frágil e com membros que podem não estar muito certos de seus objetivos.

A base do governo também passou por provações, embora menores. A ida do deputado Major Araújo (PRB) e de Isaura Lemos (PC do B) para a oposição foi considerada como perda, mas a situação procurou manter a postura e não quis lamentar as cadeiras vazias. O problema que poderia ter abalado a base do governo foi durante o episódio das CPIs, quando o presidente da Casa, Helder Valin (PSDB), se recusou a divulgar os nomes dos deputados oposicionistas que retiraram as assinaturas. A oposição alegou que nem um nome havia sido retirado, mas foi calada quando dois membros do grupo assumiram o ato: Paulo Cezar Martins (PMDB) e Simeyzon Silveira (PSC). Valim saiu ainda mais forte do episódio, ganhando um ar de “justo” por não ter dedurado os colegas.

Após a delonga das CPIs, oposição e base prosseguiram com um trabalho lento. A oposição por talvez ainda estar preocupada com a desunião do grupo, e a base por se sentir segura justamente pela demonstração de fragilidade do outro lado. A falta de quórum para votar os vetos do governo e, dessa forma, destravar a pauta, aponta ausência de interesse dos deputados em agilizar os trabalhos. A próxima semana pode ser considerada perdida, em razão do feriado prolongado. Ainda que acreditem que o tempo é longo, uma eleição começa a ser construída no ano pré-eleitoral. Cabem aos dois lados começar a mostrar serviço e, assim, ajudar a formar as estruturas que serão apresentadas no próximo ano.