Vassil Oliveira: “Enquanto o PMDB sofre com divisão interna, Marconi Perillo trata de unir aliados com palavras de ordem e otimismo”

Veja artigo de Vassil Oliveira, no Tribuna do Planalto, desta semana:

 

Marconi levanta o ânimo de sua base

Vassil Oliveira – Diretor de Jornalismo

Enquanto o PMDB sofre com divisão interna, o governador Marconi Perillo trata de unir aliados com palavras de ordem e otimismo

Se 2013 foi bom, 2014 será melhor ainda. Eis a mensagem nada subliminar de fim de ano presente em todas as peças de publicidade, entrevistas e discursos do governador de Goi­ás Marconi Perillo (PSDB). O ano que vem “será o ano da consagração”, disse ele literalmente durante o encontro de partidos aliados no início de dezembro.
O balanço do tucano focou o tempo todo a expectativa de mais obras, anúncio de mais realizações e na argumentação de que seu índice de avaliação está cada dia melhor, em contraponto aos últimos doze meses, marcados inicialmente por arrancada tímida de recuperação administrativa, depois pela fé na possibilidade de reeleição e, enfim, a determinação em vender o bom como um passo natural para o espetacular, que será colhido em plena campanha para o governo.
Em conversa com jornalistas no início da semana passada, no Palácio Pedro Ludovico, Marconi Perillo destoava de sua equipe. Os auxiliares pareciam cansados de guerra, com semblante puído. O tucano, ao contrário, estava acelerado, com mãos na mesa como que pronto a saltar à frente, subir na mesa, ao menor sinal. Longe de alguém tranquilo, aliviado depois de meses de denúncias, críticas fortes, desgastes com casos como a CPMI do Ca­choeira, era a representação do combatente em ponto de bala. Mais uma vez, era só en­tusiasmo. Mais uma vez, estava claramente pronto para outra.
Os números do governo na ponto da língua são uma arma que Marconi sempre dispara ao menor sinal de oportunidade para atingir o interlocutor. Assim como a retórica do sucesso. Aos jornalistas, logo no início foi direto, enfático: “O trabalho nosso é intenso no sentido de não só demonstrar e assegurar, mas deixar claro, convencer a todos de que esse é um bom governo, é um governo realizador. E essa sensação a gente começa a perceber não só nas pesquisas, estamos andando no Estado inteiro e temos sentido na pele essa recuperação.”
“Temos pesquisas quantitativas e qualitativas sérias – não vou falar aqui do Ibope, que nunca acertou nada em Goiás – que indicam um crescimento muito substantivo e seguro do governo na avaliação da população em todas as regiões do Estado. E não é só pesquisa. Eu ando por toda parte do Estado, e a gente sente quando a situação do governo está bem ou não. Isto é, na pele, no contato com as pessoas”, argumentou, olhando os interlocutores à mesa, de ponta a ponta, como quem mira um alvo.
Disparou: “Outro dia saí na porta do Palácio das Esmeraldas pra conversar com as pessoas que estavam lá visitando a Praça Cívica. Fiquei quase uma hora fazendo fotos, conversando com todo mundo e a gente percebe a avaliação e a aceitação do governo. Todo mundo sabe que esse é o governo que mais realizou e está realizando obras. Mas não é só isso. Há todo um comprometimento nosso com a área social, com os direitos das pessoas, um compromisso muito forte com o ser humano, e isso tem sido visto por toda parte.”
No embalo, Marconi Perillo desviou-se de falar em campanha, embora em campanha esteja, e de campanha tenha falado com recados calculados. “Eu acho que ainda está cedo pra falar disso (candidatura). Meu foco é o governo, estou feliz, temos razão de sobra para estar otimistas. Estamos cumprindo os nossos compromissos eleitorais, o programa de governo que foi apresentado à população em 2010”, frisou. Palavras. Na prática, estratégia definida: “Cam­panha, quanto mais curta, melhor. Dá muito trabalho”.
A definição sobre ser ou não ser candidato é jogada para junho, mês das convenções, embora todos vejam o governador no exercício pleno de uma campanha aberta e acelerada. Mas, e se não for ele o candidato de sua base de apoio? Impossível? Em tese, não, tenta convencer. Portan­to… Resposta na ponta da língua: “Nós temos um nome natural, que é o vice-governador (José Eliton), caso eu não seja o candidato.” Para o Se­nado, o nome que vai apoiar “já está decidido”, avisa, em­bora ninguém dê isso como tal, definido: Vilmar Rocha (PSD). É o que há de momento.
Neste embalo, Marconi Perillo ocupou todos os espaços no final de ano, para vender empolgação e a ideia de que o que está bom vai melhorar ainda mais. Mesma lógica que por muito tempo acompanhou um de seus principais auxiliares nos três governos, e que agora é pré-candidato a deputado federal: Giuseppe Vecci. O que se vê é que o tucano cumpre à risca um ensinamento basilar da política: mostra-se sólido – com uma lista concreta de realizações para tentar convencer o eleitor de que seu voto foi bem aproveitado – e concentrado. Na mira, o passo seguinte: conquistar mais um mandato.