Grupo de Anápolis do PT quer impor candidatura de Gomide às oposições e vai atropelar articulações dos outros partidos

Veja matéria do jornal O Popular:

Sucessão

Cúpula do PT quer apressar definição de pré-candidato

Após ouvir de Paulo Garcia que ele não tem interesse na disputa pelo governo do Estado líderes do partido trabalham para oficializar nome de Antônio Gomide nos próximos dias

Caio Henrique Salgado 08 de janeiro de 2014 (quarta-feira)
Ricardo Rafael

Presidente estadual do PT, Ceser Donisete: cúpula nacional vê candidatura com simpatia
Depois de ouvir que o prefeito Paulo Garcia não tem interesse em disputar as eleições de 2014, a cúpula do PT em Goiás trabalha para oficializar, nos próximos dias, a pré-candidatura do prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, ao governo. Apesar de o nome do anapolino ser o único colocado pelo partido após a desistência de Paulo, o anúncio de Gomide deve ser antecedido por conversas em busca de consenso interno, já que uma ala do partido defende que o PMDB tem prioridade para assumir a cabeça de chapa.

A ação petista começou no fim do ano passado, quando o presidente do partido em Goiás, Ceser Donisete, e as bancadas estadual e federal foram a São Paulo conversar com o presidente nacional da sigla, Rui Falcão. Os goianos teriam ouvido dele que, se conseguir viabilizar unidade interna, além de alianças com outros partidos da oposição, o PT goiano teria o caminho livre para bancar uma candidatura própria ao governo.

Como primeiro passo para tentar afunilar a um só nome, o mesmo grupo se reuniu anteontem com Paulo Garcia, ainda colocado oficialmente como pré-candidato ao governo pelo partido. Durante o encontro, o prefeito disse aos correligionários que não tem interesse na disputa, mas, conforme afirmou Ceser ao POPULAR, o diálogo não foi “conclusivo”.

“Houve essa conversa, mas não foi um ato oficial do partido. Isso depende de uma reunião, o que não aconteceu. Esse encontro não poderia de forma alguma ser deliberativo”, diz ele, defendendo que a oficialização de uma pré-candidatura petista depende de uma deliberação formal do diretório.

Ceser também afirmou à reportagem que a meta do PT é chegar a um consenso antes de marcar uma reunião para definir o nome. “Entendemos que se estivermos unidos temos mais condições de dialogar. É para que tenhamos força para discutir com os partidos”, completa o presidente do PT em Goiás.

Apesar de Ceser negar que haja qualquer dificuldade nas articulações internas, aliados de Gomide têm reclamado da posição de Paulo Garcia e aliados próximos, que têm defendido a prioridade para o PMDB assumir a cabeça de chapa em uma aliança com o PT. “Como construir um discurso de candidatura se o prefeito da capital trabalha internamente para defender uma candidatura do Iris ao governo?”, questiona um aliado do prefeito anapolino.

Conforme mostra a coluna Giro de hoje, o próprio prefeito afirma que “o PMDB deve ter a preferência para indicar nosso candidato a governador”.

Questionado sobre as reclamações de aliados de Gomide a respeito da postura de Paulo Garcia, Ceser Donisete tenta amenizar a situação. “O Paulo é um militante antigo do PT. Pela conversa que tivemos ontem (na segunda), nós não temos dúvida de que ele seguirá a posição que o partido tomar. A ideia nossa é construirmos junto com o Paulo e com o Antônio uma proposta única para Goiás”, afirmou.

Pressa

Também presente na reunião com Paulo, o líder do PT na Assembleia Legislativa, deputado estadual Karlos Cabral, defende tese semelhante. “Ele (o prefeito) deixou bem claro que vai seguir as orientações do partido. Assim como ele, todos nós entendemos que as oposições devem estar unidas. Não estamos querendo lançar uma candidatura e pronto. Vamos para a discussão com os outros partidos. Assim como o PMDB, teremos o nosso nome para debater”, avalia o deputado petista.

Mesmo com um discurso de cautela, Karlos Cabral diz, ao ser questionado sobre o momento certo para definir a pré-candidatura do PT ao governo, que “já é o momento” de colocar o nome. “Nós não colocamos nenhuma data para fechar isso, mas entendemos que agora já é o momento. Só que o partido tem de se reunir e definir isso. É uma decisão que deve ser tomada pelo conjunto, pelo diretório”, explica o líder do PT na Assembleia.