José Eliton, com a corda toda: “Temos argumentos e estamos prontos para debate com a oposição”

Veja entrevista do governador em exercício José Eliton ao jornal digital A Redação:

 José Eliton: “Temos argumentos e estamos prontos para debate com a oposição”

Pepista fica à frente do governo até 21/1

Adriana Marinelli

Goiânia – Se sentindo realizado na gestão pública e cheio de vontade de continuar trabalhando. É assim que se auto-define o governador em exercício, José Eliton (PP). Com uma agenda movimentada nos últimos dias, inclusive no interior do Estado, o vice-governador está dando continuidade às inaugurações, vistorias e ações feitas pelo governador Marconi Perillo no fim de 2014.

Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação na tarde de quarta-feira (8/1), o governador em exercício falou sobre o cenário político – com foco nas eleições deste ano – e comentou sobre o trabalho desempenhado pela base para convencer o governador Marconi a se candidatar à reeleição.

Presidente Estadual do Partido Progressista, José Eliton também falou sobre as possibilidades do partido avançar na área parlamentar. Sobre as críticas feitas ao Governo de Goiás pela oposição, o governador em exercício as definiu como “vazias e sem fundamento.” “Se falam que o governo está bagunçado e não está avançando é porque estão, no mínimo, desinformados,” rebate.

De acordo com o pepista, Marconi, que está de férias em Trancoso (BA), deve retornar a Goiânia no próximo domingo (12). No entanto, o tucano deve viajar novamente – mas, dessa vez, para o exterior – na próxima quinta-feira (16), retornando ao trabalho no dia 22/1. “Fico em exercício até o dia 21”, afirmou.

Confira a entrevista na íntegra:

A Redação: A exoneração dos auxiliares até o terceiro escalão do Estado pegou muita gente de surpresa, inclusive nomes da oposição, que chegaram a dizer que o Governo de Goiás estava bagunçado. Como o senhor recebeu essas críticas?

José Eliton: O governo do Estado de Goiás é absolutamente consolidado em todas as suas esferas de gestão. Temos titulares de todas as pastas, pessoas que estão atuando para garantir a continuidade do serviço público à sociedade. As críticas, na maioria das vezes, são mais de natureza política ou daqueles que não conhecem a máquina administrativa, que não conhecem a estrutura do governo do Estado. O governador teve a coragem de fazer uma reforma profunda, alterando determinadas posições dentro das próprias estruturas governamentais, buscando nomes que não compunham o governo para somar na equipe, e alguns titulares das respectivas pastas se desligaram porque têm projetos pessoais de natureza eleitoral. O governador optou por antecipar a saída desses que vão disputar as eleições. A partir daí, iniciou-se o processo de discussão da reforma da equipe, que naturalmente tem como princípio básico a qualificação de cada um para os respectivos postos. A reforma administrativa, como um todo, é uma reforma corajosa, com o objetivo de dar maior eficiência à maquina administrativa e também diminuir gastos. A responsabilidade econômica que o governador Marconi Perillo tem tido já é uma marca deste governo.

Muitos pontos, como as rodovias, por exemplo, foram temas de críticas da oposição. Hoje, já são raras as reclamações sobre as estradas.

Muitas vezes a oposição se perde justamente por conta das críticas vazias. Não há, até agora, nenhuma proposta consistente, nenhuma ideia elaborada pela oposição. Enquanto isso, estamos executando um projeto que foi apresentado em 2010. Mais de 95% desse projeto já foi ou está sendo executado e estamos formatando as ideias para que Goiás continue sendo o Estado que mais cresce e mais se desenvolve economicamente no Brasil. A maioria das críticas, como eu disse, é sem fundamento. Eles não têm crítica construtiva com o apontamento de soluções. Eu sempre falo, um bom médico não é aquele que aponta o diagnóstico da doença, e sim aquele que encontra a solução para o problema. Esse, na minha opinião, é o grande desafio para os candidatos que querem disputar essas eleições. Não vejo, até agora, críticas que tenham como fundamento a realidade estrutural do Estado. Críticas de natureza pessoal nós não vamos discutir. Espero que o debate político seja um debate de alto nível, onde nós possamos nos sentar à mesa e discutir os grandes temas que envolvem a sociedade goiana e que garantem o avanço do Estado. Adversário a gente não escolhe, deixa isso para a oposição. Temos argumento e estamos prontos para o debate.

O governador Marconi disse, mais de uma vez, que apostaria no seu nome para disputar o Governo de Goiás, caso ele realmente não tente a reeleição. Como o senhor vê essa confiança?

Acredito que isso são palavras de generosidade do amigo Marconi. Fico muito feliz de receber uma referência como essa, tão honrosa. Mas eu tenho trabalhado publicamente a possibilidade do governador Marconi ser o candidato da base. Esse é um consenso entre todos 14 partidos que compõem a base, no sentido de que o governador continue a liderar a ideia que transformou e transforma Goiás, que é o Tempo Novo. Isso não quer dizer que outros nomes da base não estejam preparados, aptos para também fazer essa liderança. Mas a preferência é, sem dúvidas, pelo governador Marconi, que tem as melhores condições. Essa referência que ele fez à minha pessoa me deixou muito feliz.

Qual é a participação do senhor e do PP na chapa majoritária?

Eu acho que estamos discutindo primeiro o projeto. O próprio governador Marconi Perillo ainda não definiu se é ou não candidato à reeleição. Temos essa preferência pelo nome dele, mas isso não quer dizer que ele será candidato à reeleição. Caso ele opte pela candidatura, teremos um cenário para a configuração da chapa majoritário. Caso ele anuncie que realmente não vai disputar as eleições, teremos outro cenário. Mas eu tenho sempre defendido dentro da base que é preciso discutir um projeto e levantar quais são os nomes dentro dos diversos partidos que têm o melhor perfil para levar esse projeto para frente. Realizamos no ano passado onze encontros dos partidos da base, onde, além de prestar contas das nossas ações referentes ao planejamento de governo de 2010, iniciando a formatação do projeto de governo que vamos apresentar à sociedade nas eleições deste ano. Essa é a atuação correta.

Como presidente do PP, como o senhor acredita que vai ser a disputa para a Câmara Federal? O senhor acredita que o partido vai ganhar mais espaço na Assembleia?

Entre os partidos da base, o PP foi o partido que mais cresceu no ano de 2013. Conseguimos trazer um volume significativo de pessoas de destaque em diversas áreas da sociedade. Fizemos uma mudança estratégica de prática política. Estamos buscando transformar o Partido Progressista num partido que seja muito mais do que uma residência para legitimar candidatura, do ponto de vista jurídico, mas sim um local de formatação de propostas e ideias. Nós convidamos, por exemplo, o maestro Eliseu Ferreira para vir ao PP e ele aceitou o desafio. No entanto, ele nunca manifestou interesse em ser candidato. Ele veio para ajudar a formular políticas na área cultural do Estado. Quando trouxemos o coronel Edson Costa para o partido, um homem que já foi comandante da Polícia Militar de Goiás, foi pensando na tamanha contribuição que ele poderia dar na área de planejamento. Mas é claro que o partido tem que crescer do ponto de vista de representação parlamentar. Nós conseguimos agregar diversos nomes importantes, como o Pedro Canedo, da cidade de Anápolis, Aberlado Vaz, de Inhumas, Geraldo Messias, de Águas Lindas, entre tantos outros, todos pré-candidatos à Assembleia Legislativa. Com esse quadro que temos hoje, esperamos eleger entre 4 e 6 deputados estaduais. Temos convicção de que o PP será uma das três maiores bancadas da Assembleia Legislativa no ano que vem. Já temos dois deputados federais, o Roberto Balestra e o Sandes Junior, e esperamos reeleger os dois. E temos pelo menos outros dois candidatos com possibilidade de ir para a eleição, que é o advogado e conselheiro federal da OAB, Reginaldo Martins , e o apóstolo Pedro Suitberto, que é ligado aos movimentos evangélicos.

O que podemos esperar para o ano de 2014 e como o senhor se sente nesse último ano de mandato?

O governador diz que 2014 é o ano da colheita, eu acho que a colheita já começou. 2013 já foi um ano muito feliz para nós do Governo de Goiás. Do ponto de vista de gestão pública, eu tenho uma felicidade muito grande de compor esse governo, que teve grandes dificuldades nos anos de 2011 e 2012. Na primeira parte, destaco a crise econômica e depois, em 2012, uma crise política que envolveu o governador, que hoje, inclusive, a sociedade goiana começa observar, por meio do livro do Romeu Tuma Junior, como tudo foi feito para atingir o governador. Mas isso é passado, já conseguimos superar todos esses desafios. Colocamos o plano de governo de 2010 em execução plena. Estamos atendendo a sociedade. Nunca se investiu tanto em Goiás. O governador Marconi está investindo em programas sociais, na infraestrutura do Estado, em programas de transformação social, em programas de qualificação de mão de obra e em tantas outras coisas. As rodovias, por exemplo, ninguém mais fala de rodovias, não tem mais o que falar. Estamos investindo mais de R$ 4 bilhões em obras de saneamento básico. Queremos que Goiás termine como líder nacional de fornecimento de água tratada. Reformamos mil escolas simultaneamente. A rede estadual de saúde está fazendo a diferença, está toda reformada, aí entra a coragem do governador de ter passado a administração das unidades para Organizações Sociais, o que muita gente criticava. Na Segurança Pública ainda há pontos críticos, mas estamos mudando essa realidade. Até março deste ano, cinco mil novos homens serão incorporados às forças policiais. São ações importantíssimas em todas as áreas, isso que me deixa realizado do ponto de vista de gestão. Eu nunca tinha tido a experiência de fazer parte da gestão pública, mas nesses três anos aprendi e estou aprendendo muito. Fico muito feliz em poder contribuir com a melhoria do Estado de Goiás.