Cezar Santos (Jornal Opção) sobre a briga Paulo-Gomide: “Pote até aqui de mágoa derramou”

Leia artigo de Cezar Santos, no Jornal Opção:

O pote até aqui de mágoa derramou

PT racha quando Antônio Gomide dá “cala-boca” em Paulo Garcia ao se colocar como pré-candidato ao governo, recebendo do prefeito de Goiânia uma resposta “na bucha”
Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos

O PT goiano está rachado. O que vinha se anunciando de forma tímida desde a reeleição do prefeito Paulo Garcia na Prefeitura de Goiânia, quando alguns petistas começaram timidamente a questionar a manutenção da aliança com o PMDB para a eleição estadual, se escancarou com a definição de Júnior Friboi como pré-candidato do partido parceiro.
A cisão foi praticamente decretada quando o advogado Ceser Donizete foi eleito para substituir Valdi Camarcio no comando regional do PT. De um lado está o pessoal pró-Paulo Garcia, adepto da aliança como PMDB, com a primazia da cabeça de chapa para o parceiro, seja qual for o candidato do partido, Iris Rezende, o preferido, ou Júnior Friboi. De outro lado, o pessoal que quer Antônio Gomide como candidato na cabeça de chapa da coligação.

O climão pesou de vez na semana passada, quando um pouco da elegância de Antônio Gomide e do garbo de Paulo Garcia pediu para dar uma voltinha, deixando seus respectivos donos a sós. Sem elegância e sem garbo, sobraram cotoveladas.
O primeiro a pisar na linha foi o prefeito de Anápolis, que, no afã de ser declarado oficialmente pré-candidato, testou o colega de Goiânia, que ele sabe ser o grande empecilho à sua postulação justamente por ser o maior adepto da aliança com o PMDB, principalmente com Iris Rezende na cabeça de chapa.

Na quarta-feira, 8, Gomide disse que as pessoas não querem ver os mesmos candidatos de 2010, marcado pelo confronto Iris versus Marconi Perillo (PSDB) e, sim, ter novas opções — leia-se nome novo, como o dele, Gomide. O anapolino falou ainda que as declarações de Paulo Garcia, de não ser candidato e defender que o PMDB tenha prioridade na indicação de cabeça de chapa, são frutos dos problemas na gestão liderada por ele, quando se sabe que a administração goianiense passou por problemas.
O prefeito de Anápolis se colocou como pré-candidato de forma oficiosa, observando que iria esperar que seu partido oficializasse a questão. No questionamento sobre adiantamento de nomes ser prejudicial à união das oposições, feita por Paulo Garcia, ele pensa diferente, por entender que os partidos têm sim de apresentar seus nomes para aglutinar na frente.

Gomide disse que as afirmações do prefeito Paulo Garcia são só opinião até pela dificuldade administrativa e pela convivência que ele teve em relação à forma como foi feita a coligação para a (eleição da) Prefeitura de Goiânia.
Segundo Gomide, Paulo Garcia precisa levar em conta o Estado de Goiás. Para o anapolino, as obras são importantes, mas diferentemente do que pensa Paulo, independentemente de dificuldades administrativas e de acordos políticos que foram feitos, é preciso visão maior para ganhar o governo de Goiás.

A resposta de Paulo Garcia veio na sexta-feira, 10, quando avaliou como “deselegantes e inoportunas” as declarações do prefeito de Anápolis. Paulo defende a aliança das oposições, e sugere que o PMDB, a partir de pesquisas, aponta certo favoritismo no comando de uma chapa majoritária por representar oposição direta ao PSDB.
Não ficou nisso. Paulo tirou do fundo do baú mágoas pretéritas sobre a eleição de 2010. O casal Iris Rezende e Iris Araújo nunca engoliu o resultado da eleição estadual em Anápolis, onde Marconi deu um banho de votos em Iris, com quase 80% dos sufrágios, o que desequilibrou a eleição a favor do tucano. Iris chegou a dizer que Gomide cruzou os braços e provocou a derrota da aliança PMDB-PT.

Paulo Garcia já tinha recuado na possibilidade de se lançar como pré-candidato ao governo, como chegou a ser cogitado. Mas ele disse que não concorda com Gomide no que diz respeito aos anseios da população do Estado para as eleições deste ano. O prefeito de Goiânia afirmou que o eleitorado goiano não deseja necessariamente novos nomes. “O que se vê é o desejo por projetos efetivos que podem até ser representados por nomes que não sejam novos. No entanto, é preciso que haja defesa desses projetos.”
Sobre a pré-candidatura de Júnior Friboi, Paulo pondera que prefere não se manifestar sobre possíveis candidatos de um partido, que não o PT. “Menos emoção e mais critério”, frisou.