No Tribuna, base aliada diz ter resistência à candidatura de Vilmar Rocha ao Senado

Puxado por Cyro Miranda, coro de políticos da base aliada diz ter resistência à candidatura de Vilmar Rocha ao Senado.

 

Veja matéria:

Base aliada não respalda Vilmar

Senador tucano Cyro Miranda diz que tem legitimidade para buscar reeleição. Líderes de outros partidos avaliam que anúncio é precipitado

Ana Paula Viana

O apoio anunciado pelo governador Marconi Perillo (PS­DB) à candidatura do secretário-chefe da Casa Civil, Vilmar Rocha (PSD), ao Senado em 2014, durante encontro do PSD em Rio Verde, no início do mês, mexeu com a sua base aliada. Lideranças de vários partidos, inclusive do PSDB, não dão respaldo à decisão do governador. Para eles, apesar da liderança que Marconi exerce em seu grupo, o apoio a Vilmar não é automático.

Em clima de campanha, o encontro regional do PSD foi marcado pelo apoio ao projeto de reeleição de Marconi Perillo. O governador chegou quase no fim do evento, mas ainda em tempo de defender a escolha do chefe da Casa Civil do seu governo ao Senado. “Se tem uma coisa que está decidida no meu partido é apoiar Vilmar Rocha em 2014. Essa é a vontade do PSDB”, anunciou.

Na contramão da afirmação de Perillo, lideranças tucanas afirmam que a decisão coletiva do partido ainda não foi tomada e que este não é momento para tal discussão. Eles deixam claro que haverá um esforço para o lançamento de uma candidatura própria do PSDB. O senador Cyro Mi­randa, inclusive, acredita que Marconi pode ter sido pressionado a apoiar Vilmar e que o pessedista “não tem legitimidade” para disputar a vaga.

Fora do PSD, dois dos principais partidos que compõem a base governista, o PTB e o PP também não assinam embaixo da manifestação do governador em prol da candidatura de Vilmar Rocha. Os presidentes dos dois partidos demonstram certa dúvida em relação à atitude que será tomada sobre a escolha do postulante ao Senado.

A posição em cima do muro desses partidos demonstra que o apoio de Marconi ainda não convence os demais partidos de sua base política. Eles deixam claro que a discussão ainda vai ocorrer dentro do consórcio governista e que Vilmar Rocha não será candidato automático ao Senado em 2014.

O deputado federal e presidente do diretório estadual do PP, Roberto Balestra, disse não ter “nada contra e nem a favor” à possível candidatura de Vilmar. Para o pepista, a decisão será tomada no momento oportuno. “Estou confuso. Nunca vi uma discussão política nesse período”, pontua, numa crítica velada ao anúncio tão antecipado.

Assim como Balestra, o líder da bancada goiana na Câmara Federal, deputado Jovair Arantes (PTB), também considera antecipada a discussão e pontua que o ponto de vista do governador não é, ainda, o mesmo de seu partido. “O governador tem o tempo dele. Nós não discutimos isso ainda e não é nosso tempo. O PTB tem outro tempo”, avisa.

Confirmando a hipótese de um desgaste na base governista, Jovair ressalta ainda que a candidatura de Vilmar tem total legitimidade, mas que isso não significa que terá o apoio de todos os partidos que a compõem.

Para o presidente da Age­top, Jayme Rincon, a atitude do governador pode ter sido uma “sinalização”. Para ele, Vilmar é o melhor nome hoje, mas, para ser candidato, precisará ser o melhor nome em junho de 2014.  “Em alguns momentos, você tem de emitir alguns sinais em relação a projetos futuros. O governador tem uma experiência muito grande nessa área política, então acho que ele sabe avaliar o momento”.

“Preparado”

O líder do PSD, Vilmar Rocha, não quis falar a respeito deste assunto com a reportagem da Tribuna. A sua assessoria, porém, forneceu algumas declarações  que secretário deu recentemente, dizendo que as definições, de fato, serão concretizadas somente ano que vem, mas que isso não o impede de manifestar seus planos e ser “transparente”. “Eu me sinto preparado para ser candidato. Se vou ser, e se for, se serei eleito, eu não sei. Mas estou sendo sincero ao anunciar minha intenção”, frisou.

Na contramão de Cyro Miranda, Vilmar Rocha acredita que a manifestação de Marconi não foi pressionada ou forçada e sim, um ato “corajoso” e “espontâneo”. “Ele transmitiu para a base o que ele pensa”, disse.

Sobre a disputa pela vaga na chapa, Vilmar disse que está legitimado a disputá-la, novamente na contramão do que pensa Cyro. Para o secretário da Casa Civil, o fato de o PSD ser o segundo maior partido da base em número de prefeitos eleitos e de vereadores, ter quatro deputados federais e uma boa bancada estadual, dá plenos direitos de disputa ao partido.

“É natural que tenhamos uma representação na chapa majoritária e eu coloquei meu nome para essa disputa. É legítimo também que o Cyro reivindique a vaga. Ele é o atual senador e tem direito de se reeleger. É democrático. E podem até surgir outros nomes também. Nada impede isso”, explica Vilmar, via assessoria.

Cyro: “Marconi pode ter sido coagido a anunciar apoio a Vilmar”

Apesar do governador ter anunciado apoio a Vilmar para o Senado, lideranças do PSDB ressaltam que o partido tem a prioridade da vaga. O presidente do diretório regional tucano, Paulo de Jesus, afirma que o partido trabalha por uma candidatura própria e que tudo será discutido e decidido em “comum acordo”. “Nós temos nosso senador que é o Cyro Miranda. Nós do PSDB temos a preferência pela vaga e, se ele quiser reeleição, iremos apoiá-lo”, destaca.

Sem retirar a autoridade de Marconi, Paulo pontuou que a discussão foi antecipada e que ainda há espaço para debater a questão. “O governador é nosso grande comandante, mas temos nosso senador. Até companheiros que compõem a base acham que não é o momento de se discutir isso”.

O senador Cyro Miranda (PSDB) também defende que o PSDB tenha candidato próprio e deixa claro sua vontade de se reeleger. “O partido tem meu nome, mas se quiser outro nome eu vou apoiar. Só acho que o partido tem de ter candidato próprio”, ressalta.

Cyro critica a antecipação do debate e alfineta Vilmar, pontuando que não é momento para um secretário se dedicar a uma possível candidatura. “Acho muito cedo pra se discutir qualquer sucessão. Acho que o governo tem muita coisa para fazer, inclusive os secretários. Eu também tenho muito trabalho”, frisa.

Na opinião de Cyro, a candidatura do pessedista, ainda não tem “tanta legitimidade”. “Primeiro por não ser do PSDB e ser de um partido que é base do governo federal. A não ser do PSDB, ninguém tem legitimidade ainda. Defendo o meu partido”, declarou.

Questionado se a atitude do governador foi precipitada, o senador tucano disse que achou a declaração “forçada” e que Marconi talvez tenha sido pressionado a manifestar o apoio. “Ele pode ter sido coagido a falar aquilo na convenção, mas a decisão final é do partido”, assegura. (A.P.V.)