[Artigo] Vereadora Célia Valadão perdeu a lógica

A lógica é a melhor das ciências. Célia Valadão (PMDB) é uma vereadora de Goiânia. Foi eleita nesta cidade. Diz a Lei Orgânica e a Constituição do Brasil que vivemos em uma democracia sustentada por três poderes independentes e harmônicos entre si. E Célia, a vereadora, foi eleita por meio do que apregoa o artigo primeiro da Carta Magna:  todo o poder emana do povo, que o exerce diretamente ou por meio dos seus representantes.  Leia-se: representantes.

Pela lógica, portanto, a vereadora não é do PMDB ou do PT ou de quem quer que seja. Ela foi eleita por meio deste ou daquele partido, mas permanece a Lei Maior: representante do povo, representa, logo, o ‘povo’, os moradores, a população, enfim, um conjunto determinado de pessoas: todos os goianienses.  Na contradição do partido com o povo, opta-se pelo ‘povo’. Caso contrário, como ocorreu na Alemanha, opta-se pelo partido e, consequentemente, o nazismo.  E ela não quer isso, com certeza.

É estranho quando a líder do prefeito na Câmara Municipal de Goiânia já indica que seu amigo Paulo Borges (PMDB) seja inocente no escândalo da operação “Jeitinho”, deflagrada pela Polícia Civil e Ministério Público. Existe uma investigação. Novamente pela lógica, e só pela lógica, Célia se antecipa aos doutos experts em perícia e investigação
e já antecipa sua decisão na Câmara:  Borges é inocente. Oras, pela lógica, Célia, que representa o povo, deveria se ater a duas coisas: só falar aquilo que tem certeza, afinal nem delegada ela é. E dois: atender aos anseios do povo. Que tal se ela realizasse uma enquete com 200 goianos e perguntasse, afinal, o que eles pensam sobre o caso? Como, afinal, representa o povo e protege apenas o amigo?

A  Comissão de Ética desta casa deve ser provocada e nela realizado o julgamento do vereador. Por menos, Demóstenes Torres perdeu seu mandato de senador. Não existe um tipo penal envolvendo diretamente o ex-senador  goiano. Mera conjectura e relações com um bicheiro. Mas crime….prisão? Nada. E ele perdeu o mandato por quebra de decoro. Ser notícia na imprensa e denegrir a imagem da instituição já é motivo mais do que suficiente para perder um mandato.  Paulo Borges que se defenda. Tem competência para isso.

Célia se mostra uma mulher elegante e dedicada nos seus trabalhos. Não é brilhante. Nem mesmo técnica. Trata-se de cantora religiosa que chegou na Câmara por exclusivo desejo do povo. Não tem currículo invejável, nem se revela uma grande entendedora de leis. Tem seus atributos: elegante, educada, religiosa. Logo, é uma graça de seu povo, eu, você e tantos outros, que decidimos colocá-la lá.

Portanto, Célia deve zelar por nossos interesses. E um deles é zelar pela independência dos poderes Executivos e Legislativo. Nem mesmo do Prefeito ela deveria zelar mais do que do povo.  Da mesma forma que não existe líder parlamentar no Executivo, não deveria existir com tamanha proeminênc ia o tal líder do governo. Daí que como integrante da bancada, e fiel escudeira, Célia tem representado mais Paulo Garcia e seu amigo Paulo Borges do que o povo, que foi lá e votou nela. Coitada, está misturando tudo.  Daí a necessidade da lógica.

E se estiver errada no caso do Paulo Borges? Estaria defendendo um bandido?  O melhor, para que ninguém se equivoque, é manter certo afastamento, dar opiniões técnicas, se ater a apresentar projetos que interessam o povo e não apenas o poder Executivo. É de bom alvitre, logo, que seja cautelosa.  Afinal, se não conseguir salvar Borges, ela pode ir junto com ele.  O que não seria prudente para ela.