Júnior Friboi não chega ao PMDB apenas como cabo, mas como a Magda do partido

O chapelão made in Tennessee e as botas de cano alto não emprestam a Júnior Friboi o figurino de empresário bem-sucedido que ele tenta vender à opinião pública. Júnior, a bem da verdade, é o retrato fiel do jeca-tatu abobalhado, que venceu na vida por conta de bons amigos e de uma montanha de dinheiro oriunda do departamento de filantropia do BNDES.

Esta impressão negativa é reforçada pelas antológicas entrevistas que Júnior dá à imprensa. Pode reparar: é uma trapalhada atrás da outra. A cada vez que Júnior abre a boca, dezenas de porta se fecham à sua frente. O empresário desfruta do incrível talento para fazer inimizades e criar arestas. Não há viv’alma na política goiana que ainda não tenha sido posta em saia-justa pelo falastrão sertanejo.

Em 2010, Júnior pleiteava uma vaga na chapa majoritária da base aliada quando cutucou o deputado Ronaldo Caiado com vara curta. Disse o que quis, ouviu o que não quis: Caiado chamou o aparvalhado criador de gado de tudo o que se pode imaginar dentro de um universo extenso de expressões pejorativas e ofensivas. Três anos depois, em entrevista à Rádio Mil, voltou a provocar o deputado, dizendo que o parlamentar abriria mão de sua pré-candidatura ao governo para disputar o Senado em sua chapa.

Na entrevista de hoje ao jornal O Popular, Júnior se embananou outra vez. Depois de dizer que não abriria mão de concorrer ao Palácio das Esmeraldas, afirmou que chega ao PMDB como cabo. Das duas, uma: ou sua palavra dada anteriormente não tinha valor ou ele está mentindo agora. Mentindo para escamotear o rolo compressor que ele, Michel Temer e Valdir Raupp montaram para atropelar Iris Rezende.

Júnior quer ser candidato a governador e conta com a boa vontade do velho cacique. “Ele nunca descumpriu um compromisso comigo”, disse na entrevista. Pois é bom que se prepare: não é apenas no discurso que o falastrão chega como cabo ao PMDB. Na prática, Iris também o obrigará a limpar o chão do diretório do partido e comer o pão que o diabo amassou por muito tempo ainda – até a data que ele resolver se aposentar, para ser mais exato. Onze entre dez políticos do PMDB afirmam que a promessa de Temer é palavra morta.

Em quase uma página de entrevista ao O Popular, Friboi não apresentou um projeto sequer para Goiás. Foi um blábláblá sem fim, um disse-que-me-disse sem qualquer serventia para o Estado. Não houve menção a um só projeto administrativo, nenhuma grande ideia para melhorar um governo que ele tanto critica.

A cada entrevista, a cada aparição pública, Júnior joga mais uma pá de terra sobre a sua pouco promissora carreira política. O empresário que se acostume a ser cabo, porque não tem envergadura intelectual para governar Goiás. O projeto de poder do PMDB passa pela necessidade de se tomar atitudes vigorosas contra o empresário. O partido há de agir como Caco Antibes e dizer: “cala a boca, Magda!”

(Reprodução na íntegra do editorial da rádio 730)