Jarbas Rodrigues (O Popular) detona Friboi: “As várias faces e falas de Friboi”

No blog que assina na página de O Popular, o jornalista Jarbas Rodrigues recorre aos arquivos do jornal para detonar a curta carreira “política” do empresário Júnior Friboi, mostrando contradições e mudanças repentinas de comportamento e declarações conflitantes.

Jarbas lembra que Friboi era aliado de Marconi Perillo em 2010, aceitava ser vice ou senador e dizia nada entender de administração pública e política.

Observa Jarbas que o discurso mudou muito nestes três anos.

 

Veja o comentário na íntegra:

Do empresário José Batista Júnior: “Existem duas possibilidades de eu entrar na disputa eleitoral: no Senado ou na vice. Estou sendo muito cauteloso com isso. Acho que tanto o Senado quanto a vice são posições importantes para fazer as coligações. Meu perfil é mais para o Executivo. Agora, se for para acomodar – o candidato ao governo pode precisar da vaga de vice – não tenho nenhuma objeção. Estou muito desprendido, não estou pensando em posição para mim”. A frase não é de hoje, quando recebeu o convite oficial para filiar no PMDB, mas na entrevista dada pelo empresário ao POPULAR em março de 2010, quando ainda filiado no PTB negociava para ingressar na chapa majoritária ao governo do então senador Marconi Perillo (PSDB). O discurso mudou muito nestes três anos. “Eu já tenho projeto. Às vezes as pessoas me perguntam se seria candidato a senador, digo que não tenho perfil. Também me perguntam se eu sairia candidato a deputado estadual ou federal, respondo que não tenho perfil para legislador. Tenho perfil para gestão, para Executivo”, disse José Batista em entrevista publicada na última segunda-feira pelo POPULAR.

A mudança no discurso do empresário também é notada quando se refere ao governador Marconi de quem, convém frisar, há três anos trabalhava para ser aliado. “Propus para o Marconi que, eu indo para a vice, de criar uma secretaria de relações internacionais e desenvolvimento e que eu possa cuidar dessa parte. O que penso e tenho combinado com o Marconi e com a base é que não viria para o debate político simplesmente como um vice, sem atuação nenhuma. Acho até bom que ele fique oito anos no governo. Até porque sou muito humilde em dizer que quero aprender com ele. De gestão pública não entendo, vou passar a entender. Na política, disse para o Marconi que não entendo, gostaria de aprender”, disse José Batista em março de 2010.

O discurso do empresário hoje é: “Não vou para a oposição, já sou oposição e pré-candidato ao governo pelo PSB desde o ano passado. Não tenho dúvida de que toda a base estará unida e de que o próximo governo de Goiás passa pela oposição. Eu e Iris (Rezende) somos amigos, militamos juntos há 32 anos. Na verdade, o que existe é a intenção de fortalecer a oposição para 2014. Estou muito animado com o projeto para 2014 e quero fazer parte desta grande alternância, dessa mudança e devolver a Goiás a prosperidade. Estou indignado com o que estou vendo no Estado hoje e acredito que tenho legitimidade para avaliar, uma vez sou empresário em Goiás, que nasci, voto e tenho minha família aqui.”

Apenas uma coisa parece não ter mudado no discurso de José Batista Júnior: destacar seu trabalho no grupo JBS/Friboi. Disse em março de 2010: “A JBS, hoje, com capital aberto e empresa multinacional, não precisa de praticamente nada de incentivos fiscais. Acredito que hoje o Estado precisa muito mais da empresa do que a empresa do Estado. Porque temos 10 mil pessoas trabalhando no Estado. Somos o maior processador de matéria prima de commodities aqui, transformamos o boi em produto acabado. Imagina que caos seria se fecharmos as nossas unidades no Estado. A JBS vai participar (das eleições de 2010) como empresa independente, como empresa que não tem nada a ver comigo. Vai participar com todas as coligações, com todos os partidos.” E o que disse o empresário nesta semana: “Quero dar a minha contribuição como dei para o Brasil e para Goiás criando a maior empresa de proteína do planeta, o que é uma grande responsabilidade social e, ao mesmo tempo, promoção do nosso Estado para o mundo inteiro.”