Carlos Soares realiza seis dias de homenagem e Câmara vira filial do Oliveira’s Place

O prédio da Câmara Municipal foi construído no cruzamento da Avenida Goiás com a Independência com o propósito de ser a sede do poder Legislativo do município. Em tese, é o local haveria de se consumar a prática cotidiana de fiscalizar o Executivo e reformular o escopo de leis da Capital.

O problema é que, aos poucos, o objeto inicial de atuação dos vereadores começa a se perder.

Em vez de vereadores, a população está elegendo 35 mestres de cerimônias. É festa que não acaba mais no plenário. O pior é que as homenagens se sobrepõem às discussões de plenário com a naturalidade de quem perde um documento e não sente a falta dele, porque não o utiliza para absolutamente nada.

Goiânia está perdendo os seus vereadores.

O problema não é ficarmos sem 35 agentes públicos fiscalizadores. Já não contamos com eles faz tempo. O que não dá para aceitar é que esses mestres de cerimônia pendurem a fatura dos seus rega-bofes na conta do contribuinte. Estão fazendo política com dinheiro do povo. Eles estão se promovendo com a grana dos impostos.

A mais recente homenagem aprovada pela Câmara Municipal vai entregar comendas a nada mais, nada menos que 80 personalidades, entre aspas, da Capital. Serão seis dias de festa na sede do Legislativo, outrora utilizado para o ato de legislar. Seis dias para aclamar a decadência de Línio de Paiva, Darci Accorsi, Pedro Wilson, Denise Carvalho e tantos outros. Seis dias em que a Câmara vai se transformar no Parque dos Dinossauros.

O vereador Carlos Soares (PT), que propôs a jornada de solenidades, não deixou ninguém de fora. Até o ficha-suja José Nelto, afastado da política depois de condenado por compra de votos, vai ganhar tapinha nas costas e foto com as autoridades – também entre aspas.

Carlos chegou à Câmara em desvantagem na comparação com os 34 colegas. Ao contrário deles, foi empossado com a obrigação de mostrar serviço. Mais do que isso: provar à população de Goiânia e à opinião pública que não é tão dispensável, execrável e venal quanto o seu irmão, o mensaleiro Delúbio Soares.

Carlos começou mal. Serviu de cúmplice de algumas das manobras mais absurdas que um prefeito da Capital já realizou naquele prédio, erguido ao lado da Praça do Trabalhador. Optou pelo silêncio ensurdecedor em matérias de interesse da população e avocou o direito de não ter opinião – ele vendeu a sua a Paulo Garcia.

Agora, antes mesmo de completar quatro meses de mandato, Carlos escreve mais uma lauda na ata lamentável do seu mandato. O irmão de Delúbio acaba de transformar a Câmara em filial do Oliveira’s Place. O Legislativo, estrangulado pelo Executivo centralizador e autoritário, abdicou de suas prerrogativas e transformou-se em uma casa de festas.

Fechemos a conta e peçamos a saideira. A nossa alegria acabou. A farra agora é deles.

 

Veja o cronograma de homenagens organizadas pelo irmão do Delúbio:

24/04 -Ex-vereadores de Goiânia.

24/05 –Comunicadores (jornalistas, publicitários, relações-públicas e donos de empresas de comunicação).

25/06 – Artistas e esportistas (atores, cantores, artistas plásticos, escritores, esportistas e incentivadores do esporte e da cultura na capital).

20/08 – Líderes classistas (dirigentes de entidades patronais e de trabalhadores, associações de moradores, Organizações Não-Governamentais e líderes religiosos).

24/09 –Empreendedores (engenheiros, médicos, arquitetos, advogados, empresários, pioneiros, e outros profissionais).

22/10 –Personalidades políticas (lideranças partidárias e políticos que já exerceram cargos públicos)

 

 

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