Sarney licencia-se para ficar longe do Senado em momento de crise no governo Dilma

(Reportagem publicada no site ucho.info: www.ucho.info)

Mantendo distância – Senador pelo PMDB do Amapá, José Sarney não está na política há quase sessenta anos porque é um poço de inocência. Ex-presidente da República e ex-presidente do Congresso Nacional, cargo que deixou no início de fevereiro, Sarney entrará em licença não remunerada, de 120 dias, a partir de 1º de março. O maranhense alegou que precisa desse tempo para cuidar de assuntos pessoais e encerrar o livro que traz sua biografia, mas esse não é de fato o motivo de sua saída temporária.

Conhecedor do metrônomo da política, José Sarney quer está longe do Parlamento no momento em que a presidente Dilma Rousseff enfrenta dificuldades para reverter a crise econômica e precisará da maioria dos parlamentares para aprovar medidas de interesse do governo, principalmente porque no cardápio palaciano a reeleição se faz presente todos os dias.

Sarney sabe que a crise não acabará tão cedo e com tanta facilidade como anuncia o governo e conhece o modus operandi do atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e d presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Fora isso, a liderança do PMDB na Câmara está a cargo do deputado Eduardo Cunha (RJ), que lida com a política com a mesma frieza de um experimentado crupiê de cassino.

Como se fosse pouco, o líder do governo no Senado é o ex-governador do Amazonas, Eduardo Braga, também do PMDB. Confirmando o que antecipamos, Dilma e o PT tornaram-se refém do PMDB. E se a economia fizer água, o PMDB abandona o barco com extrema facilidade, mesmo tendo Michel temer na vice-presidência da República.

Considerando que José Sarney nem de longe é um neófito em termos de política, sua licença, considerada estratégica e providencial por amigos próximos, é sinal de que a situação do País é mais complicada do que se imagina.