Ministro Gilmar Mendes processa Carta Capital e repórter Leandro Fortes por publicar documentos falsificados

“Basta folhear a revista Carta Capital para perceber que ela é feita por uma súcia financiada por dinheiro público para achacar a honra alheia”, comenta o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, ao anunciar uma representação na Procuradoria Geral da República contra os jornalistas Leandro Fortes e Mino Carta, repórter e editor, respectivamente, da revista Carta Capital.

Motivo: a divulgação de uma lista falsa, que aponta o ministro como beneficiário do caixa 2 da campanha da reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998.

Carta Capital usou uma lista supostamente assinada por Marcus Valério, o operador do mensalão, com uma relação de nomes que teriam sido beneficiados com recursos de caixa 2 utilizados na campanha de reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao Governo de Minas. A lista, entretanto, era produto de falsificação grosseira: o próprio Marcos Valério negou ter visto e menos ainda ter assinado o “documento”.

A matéria foi postada neste sábado no blog do cronista esportivo Cleuber Carlos.

 

Leia a matéria completa:

 

Ministro do STF Gilmar Mendes processa
revista Carta Capital e repórter Leandro Fortes
por publicar documentos falsificados

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, entrou com uma representação no ano passado na Procuradoria Geral da República contra os jornalistas Leandro Fortes e Mino Carta, repórter e editor, respectivamente, da revista Carta Capital. Motivo: a divulgação de uma lista falsa, que aponta o ministro como beneficiário do caixa 2 da campanha da reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998.

A reportagem publicada no dia 28 de julho de 2012 foi, para o ministro, uma tentativa de associá-lo a personagens e práticas diretamente ligadas ao tema da Ação Penal 470, o processo do mensalão, que começou a ser julgado pelo Supremo no dia 2 de agosto.

A revista traz uma lista supostamente assinada pelo publicitário Marcos Valério — réu na AP 470 — que seria “de beneficiários do caixa 2 da campanha” de reeleição de Eduardo Azeredo. Datada de 28 de março de 1999, a lista aponta Gilmar Mendes como beneficiário da quantia de R$ 185 mil. O documento cita o atualmente ministro como ocupante do cargo de advogado-geral da União. Mendes só passou a ocupar cargo na AGU, porém, em 2000. “Por esse ponto apenas já seria possível perceber a falsidade do documento”, diz a representação.

O próprio Marcos Valério também nega a veracidade do documento que supostamente seria assinado por ele, assim como outra pessoa listada, o senador Delcídio do Amaral. Ele foi associado ao cargo de senador na lista de 1999. Ele só veio a ocupar o cargo, porém, em 2002.

Não é apenas a reportagem, assinada por Leandro Fortes, que ataca Gilmar Mendes. A sugestão de que o ministro teria agido indevidamente é reforçada por editorial assinado por Mino Carta. “A suspeição de Mendes no processo que se inicia é muito mais que evidente”, diz o texto. O editorial, segundo a denúncia, “investe contra a honra” do ministro.

A falsidade da lista foi, inclusive, comprovada por laudo pericial do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais de junho de 2012 que mostra que, embora seja datado de 28 de março de 1999, o documento foi criado no dia 27 de fevereiro de 2009.

A reportagem diz que Dino Miraglia, advogado de Nilton Monteiro, foi quem, teve acesso ao documento divulgado. Monteiro é investigado por inúmeros crimes.

Segundo a representação, assinada pelo advogado Rodrigo de Bittencourt Mudrovitsch, fica claro que a revista não se cercou de cautelas ao perceber o provável envolvimento de Nilton Monteiro no episódio, uma vez que Gilmar Mendes, “sem maiores esforços investigativos”, conseguiu as informações sobre a lista, que poderiam ter sido enviadas aos jornalistas envolvidos, caso o ministro tivesse sido procurado anteriormente à publicação”.

“Tudo leva a crer que os jornalistas Mino Carta e Leandro Fortes sabiam que a lista que embasou a reportagem e o editorial era falsa, mas que, ainda assim, optaram por divulgar o seu conteúdo”, diz a representação.

“Não é exagero algum afirmar, aliás, que basta folhear a revista Carta Capital para perceber que ela é feita por uma súcia financiada por dinheiro público para achacar a honra alheia”, acusa o ministro.