Euler Belém avalia oposição sem discurso em Goiás e impotente perante Marconi

Texto do jornalista Euler Belém disseca com maestria, neste domingo, no Jornal Opção, o drama das forças de oposição em Goiás.

“As oposições em Goiás não têm iniciativas criativas e batem nas mesmas velhas teclas de sempre. É a crítica pela crítica e o eleitor está cansado disso e, assim, tem preferido votar naquele que já conhece e, no geral, não compromete o Estado — caso de Marconi”, diz o texto.

 

Vale ler na íntegra:

 

Oposição não faz crítica consistente a Marconi Perillo

Quando governador, Alcides Rodrigues recebeu um incumbência do então presidente Lula da Silva: deveria trabalhar para destruir o então senador Marconi Perillo (PSDB). O argumento básico, repetido à exaustão, era: Marconi deixou o Estado quebrado e, por isso, Alcides não conseguia governar. A história, dita e redita, começou a pegar e a aparecer nas pesquisas de opinião. Marconi não conseguia se defender, até que encontraram uma ideia salvadora: a Assembleia Legislativa, sob o comando de Jardel Sebba, do PSDB, encomendou um estudo à Fundação Instituto de Pesquisas Eco­nômicas, ligada ao Departamento de Economia da Universidade de São Paulo. Depois de uma pesquisa intensa nos dados divulgados pelo governo Alcides, a Fipe concluiu que Marconi não havia quebrado o Estado. Como a Fipe se trata de uma instituição respeitável, o discurso de Alcides e das oposições morreu.

Agora mesmo, a oposição está monocórdica: atacando o estado das estradas — a maioria, de fato, esburacada. Mas, como sugeriu Iris Rezende numa reunião, se o governador Marconi conseguir recuperá-las, o que é bem possível, porque há dinheiro e não está mais chovendo, vai matar no nascedouro o discurso básico da oposição. Ronaldo Caiado, do DEM, planeja investir no discurso ético, contrapondo-se aos problemas do governador Marconi com Carlos Cachoeira. Trata-se de outro discurso problemático. Porque, embora o leve em consideração, o eleitor tem o hábito de avaliar todos os políticos como “iguais” ou “quase iguais” — quase todos têm seus “esqueletos nos armários”. É por isso que, se é capaz, se realiza, o gestor acaba por soterrar o discurso ético.

As oposições em Goiás não têm iniciativas criativas e batem nas mesmas velhas teclas de sempre. É a crítica pela crítica e o eleitor está cansado disso e, assim, tem preferido votar naquele que já conhece e, no geral, não compromete o Estado — caso de Marconi. Se fosse mais ousada, se investisse em criatividade, as oposições encomendariam um estudo sério sobre a economia goiana — a ser feito, por exemplo, por um economista do porte de Luiz Gonzaga Belluzzo. O estudo, seguido de uma interpretação atenta e verdadeira, buscaria explicar, por exemplo, se o crescimento de Goiás tem a ver com iniciativas do governo Marconi ou com as apostas do próprio mercado. Como o governo não está bem, com dificuldade para executar as obras, é possível que o crescimento, nos últimos dois anos, tenha a ver apenas com a expansão do mercado capitalista local e nacional — e não com as ações do governo. Mas isto é intuição — o que se precisa fazer é um estudo detido que possa nortear tanto uma crítica consistente quanto um projeto de governo denso e de amplo interesse público. O PMDB, o PT e o DEM vão fazer isto? Pos­si­velmente, não; porque prefere fazer pesquisas quantitativas e qualitativas, que às vezes não levam a nada.

Há pouco tempo, a “Folha de S. Paulo” divulgou uma pesquisa, feita por um economista sério, não dado a fazer política com seus estudos, na qual se mostrou que o surgimento de uma classe C mais robusta não tem nada a ver com o Bolsa Família, e sim com a expansão e a modernização do capitalismo no Brasil. O execrado mercado é o responsável pela ampliação e solidificação das classes médias. As oposições praticamente não discutiram a pesquisa. Porque, apesar de sólida, não interessa aos políticos populistas, tanto do PT quanto do PSDB e de outros partidos. Dizer que a Bolsa Família não é tão eficiente não agrada ninguém — nem governistas nem oposicionistas. Todos preferem adular aquilo que, na falta de uma palavra precisa, chamam vagamente de “povo”, ou “povão”.

 

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