Tribuna do Planalto confirma Goiás24horas: PMDB está rachado entre Júnior Friboi e os iristas

Reportagem publicada na edição deste domingo do semanário Tribuna do Planalto confirma o que o Goiás24horas já revelou: o PMDB rachou com a filiação de Júnior Friboi ao partido.

Agora, de um lado os iristas e de outro o rebanho do magnata da picanha.

Quem vence esta parada?

 

Veja a reportagem na íntegra:

 

PMDB de Iris dividido por Friboi

Empresário chega oficialmente ao PMDB na quarta, 15, com chances de ser candidato, mas sombra do ex-prefeito é ameaça ao seu projeto

Daniel Gondim – Repórter de Política
O PMDB começa, de fato, a se preparar para as eleições de 2014 a partir de quarta, 15, quando o empresário José Batista Júnior, o Júnior do Friboi, vai se filiar oficialmente à sigla. A ida do empresário deixa empolgados parlamentares e prefeitos, que veem nele a melhor opção para o partido voltar ao Pa­lácio das Esmeraldas depois de 16 anos. Ao mesmo tem­po, porém, a força e a lide­ran­ça do ex-prefeito de Goiâ­nia Iris Rezende, ainda arrancam suspiros de uma parte da sigla, denunciando a existência de uma disputa por espaço entre os dois pré-candidatos.
Há, no ar, alguns indícios de que a ida de Júnior já provocou pequenos incêndios com o ex-prefeito de Goiânia. Ao procurar o PMDB para se filiar, o empresário teria consultado lideranças nacionais, como o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), um dos principais responsáveis pela filiação de Friboi. O fato desagradou Iris e seus aliados mais próximos, que encararam o fato como uma interferência no diretório estadual.
O incêndio parece ter sido apagado com uma visita de Júnior a Iris, mas o ex-prefeito já anunciou que não irá à filiação de Júnior, que será realizada na quarta, 15, na Assembleia. Presidente do diretório regional do PMDB, o deputado estadual Samuel Belchior garante que a ausência do líder peemedebista não é representativa da disputa por espaço. “O Iris não está participando de nenhum dos eventos do PMDB. Estranho seria se ele fosse à filiação”, garante.
Para avaliar a situação interna dentro do PMDB e se há realmente uma disputa, a Tribunaouviu lideranças da sigla (veja as frases). O ex-prefeito de Goianésia Gil­berto Naves fez um alerta para que o partido não caia no que considera uma “armadilha”.
“É uma arapuca essa de decidir quem será candidato agora. É um momento delicado e o partido tem de saber lidar com ele. Precisamos de competência politica para lidar com isso, precisamos buscar consenso e uma solução para esses conflitos de interesse”, resumiu Gilberto.

Empolgação
Mesmo que ninguém admita publicamente, o duelo entre Iris e Friboi é evidente. Para os partidários do ex-prefeito, a trajetória dele dentro do partido sempre o credencia a liderar o PMDB em uma campanha ao governo.
Isso coloca pressão sobre Júnior. O grande trunfo do empresário é a capacidade financeira e a possibilidade de garantir estrutura para a campanha majoritária e, principalmente, para as dos deputados estaduais e federais.
“Todo o indicativo é de que o Júnior será o candidato, mas naturalmente isso passa por ele se organizar e se articular. Tem um nome naturalmente forte e que todo mundo respeita que é o do Iris. Há um indicativo muito positivo, mas nada é absoluto. São dois nomes muito bem vistos”, explica o secretário de Segurança Pública do governo de Alcides Rodrigues (PP), Ernesto Roller (PMDB), que foi candidato a prefeito em Formosa e teve Júnior como aliado.
Por sinal, os apoios a candidatos a prefeito em 2012 foram fundamentais no processo de conquista de aliados feito por Júnior. Na época, mesmo no PSB, o empresário foi incentivador financeiro de muitos candidatos do PMDB, que agora são defensores importantes da filiação e, consequentemente, da candidatura no mais novo peemedebista.
Um dos apoiados foi o prefeito de Porangatu, Ero­nildo Valadares (PMDB), que não esconde a preferência pelo nome de Friboi em 2014. “Não podemos mais sacrificar o Iris Rezende, que já foi ministro da Justiça e na última eleição foi candidato no último momento. Eu acho que chegou a hora outra pessoa e seria uma grande satisfação apoiar o Júnior”, defende.
Muitos dos apoios a candidatos a prefeitos foram articulados pelos deputados do PMDB, que, atualmente, também estão entre os maiores defensores da ida de Júnior para o partido. Os principais exemplos são os deputados federais Leandro Vilela e Pedro Chaves, que participaram ativamente da costura que culminou na filiação do empresário.
Só a ajuda financeira, porém, não fará de Júnior o candidato automático do PMDB. Mesmo entre os defensores do nome do empresário, há a consciência de que ele precisará ter viabilidade eleitoral para ser o nome peemedebista em 2014. Nesse sentido, a sombra de Iris acaba ficando mais forte, já que, nos bastidores, a informação é de que o líder peemedebista lidera todas as pesquisas de intenção de voto.
Ainda sem ter disputado nenhuma eleição, o trabalho de Júnior terá mesmo que ser em reforçar as alianças e, com presença maciça no interior, transformar os compromissos em dividendos eleitorais. Caso isso ocorra, o mais novo peemedebista estará mais perto de se cacifar para o Palácio das Esmeraldas, garantem seus aliados.Espaço
A grande preocupação, porém, é que haja um acirramento nos ânimos peemedebistas, caso haja mesmo uma disputa mais forte entre Iris e Júnior. Um dos mais preocupados com essa possibilidade é o ex-prefeito de Goianésia, Gilberto Naves. Para ele, a primeira preocupação é garantir espaço para que cada um tenha condições de garantir sua viabilidade.
“Ainda não é hora da militância política entrar, mas sim de costurar os apoios. O Júnior tem de ser recebido com festa, entusiasmo e vontade e tem de ser dada a liberdade para que ele se coloque como um pré-candidato. Do mesmo jeito tem de ser feito com o Iris, não podemos negar isso ao Iris. Ambos tem de ter legitimidade para conversar com todos os segmentos”, defende.
Em outras épocas, o PMDB já sofreu com situações semelhantes. “Na minha época, me perguntavam se eu era irista ou maguitista. Eu respondia que era ‘irimaguitista’”, brinca o ex-prefeito de Catalão e ex-presidente do diretório estadual do PMDB, Adib Elias, que não vê briga por espaço dentro do partido com a chegada de Júnior. “Falo sempre com o Iris e não tem nada disso. A picada está completamente aberta e ele terá meu apoio se for candidato a qualquer coisa”, diz Adib, referindo-se a Friboi.

‘Silêncio’ motiva dúvidas sobre futuro de Iris Rezende

Depois de ser derrotado pelo governador Marconi Perillo (PSDB) na eleição de 2010, o ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende chegou a declarar que seria apenas um “conselheiro” no processo de escolha sobre um sucessor. Sem ele, porém, o PMDB parece ter ficado “à deriva”, já que o partido sofre para liderar a oposição no atual mandato do tucano.
Nesse sentido, a chegada de Júnior do Friboi seria a esperança de que o PMDB volte a ter alguém que dê uma direção ao partido. Essa empolgação, porém, é freada pelo “silêncio” de Iris, que ainda não sinalizou se irá mesmo deixar que o partido caminhe com as próprias pernas. Prova disso é que até o final do ano passado, os peemedebistas garantiam que o principal nome do partido não tinha mais intenção de disputar o Palácio das Esmeraldas. Com a proximidade das eleições e o aumento das articulações por 2014, porém, essa afirmação perdeu força.
Sem conceder muitas entrevistas, Iris ainda não deixa claro o que pensa em relação à eleição de 2014. Se estivesse disposto realmente a se afastar do processo, por exemplo, já poderia ter se comprometido com a intenção de Júnior do Friboi ser o candidato do PMDB, já que grande parte dos peemedebistas estão empolgados. Isso, porém, não ocorreu, o que motiva ainda mais especulações sobre o futuro do líder peemedebista.
A ausência de Iris no evento de filiação de Júnior é um exemplo disso. A explicação oficial é a de que o peemedebista estaria cansado de ser responsável pelos fracassos de nomes que foram para o PMDB com intenção de ser candidato ao governo. Os casos mais recentes são o do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em 2010, e do ex-prefeito de Senador Canedo e candidato ao governo em 2010, Van­derlan Cardoso.
“O Meirelles filia, não faz trabalho nenhum e não é candidato, mas aí apontam o Iris como culpado. O Vanderlan, se tivesse ficado, estaria ocupando esse espaço hoje, mas, na época, também apontaram o Iris como culpado”, analisa Adib Elias.
Internamente, porém, há a avaliação de que a “saída de cena” de Iris pode significar que ele tem sim intenção de participar do processo eleitoral. Um dos principais indícios é que aliados próximos do líder peemedebista não admitem a ausência dele da articulação por 2014. “Afastar Iris desse processo é como se tivéssemos um Pelé e abríssemos mão dele para jogar na seleção brasileira”, disse o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), em entrevista publicada pela Tribuna no fim de abril. (D.G.)