Cipriano deixa a rádio 730 com carta dizendo que não aceita fazer “xingatório”

O jornalista Marcos Cipriano, depois de anos no jornalismo da rádio 730, deixou a equipe da emissora nesta quarta-feira.

Ele postou carta aberta nas redes sociais explicando os motivos da sua saída e sugere que vai abandonar o jornalismo.

Pelo que se depreende do texto, houve divergência entre Cipriano e a orientação jornalística da rádio 730, cujo noticiário e linha editorial são hoje comandados pelo incendiário Nilson Gomes.

Com exceção do ex-senador Demóstenes Torres e do seu substituto no Senado, Wilder Tavares, a rádio 730 não poupa ninguém – mas ninguém mesmo – de suas críticas e ataques extremamente pesados.

Aqui, o texto integral da carta de despedida de Marcos Cipriano:

Carta aberta à minha audiência qualificada

Assinei hoje o meu desligamento oficial da Rádio 730, emissora que trabalhei por mais de uma década. Saio de cabeça erguida, com as mesmas convicções e comportamentos éticos, que marcaram a minha vida desde que entrei para o jornalismo por convicção e não por conveniência.
Sou daqueles que entendem que jornalista não é notícia. Quem é notícia é a própria notícia. Mas achei por bem aproveitar este espaço para informar à minha fiel audiência qualificada que hoje já não pertenço aos quadros da emissora, até porque me foi tirado o direito de me despedir no ar dos ouvintes, o maior patrimônio que acumulei ao longo de minha carreira profissional.
Saio feliz porque sei que fiz um jornalismo técnico, profissional, não faço xingatório. Feliz porque construir uma História que nenhum lacaio vai pagar e porque tenho o respeito daqueles que acompanham o meu trabalho. Mais feliz ainda porque nunca usei minha voz para assacar contra instituições, contra o estado democrático de direito e para vilipendiar pessoas, com visões preconceituosas e desprovidas de ética.
Não tive espaços para me despedir, e o faço agora, dos colegas que ficam: Geraldo Araújo, Petras David, Wirley Alves, Cléia, Cléber Ferreira, Antônia, Justino Guedes, Zezinho, Charles Pereira, , Demerval, Samuel Straiotto, Paulo Francisco, Victor Machado, Euripinho, Roberval, Juninho Bill, Isadora, Kadmous, Cecília, Denise, Ledes, entre outros, que os guardarei para sempre no meu coração. Dos que já não mais estão na emissora minha gratidão a Amaury Garcia, Marcelo Heleno, Altair Tavares, Lyra Rúbia, Sinomar Rezende.
Talvez seja este o meu último capítulo no rádio e quem sabe até no jornalismo, mas saio com a convicção de que antes de agradar ao chefe, pensei primeiro no ouvinte. Vivemos o século da convergência e do respeito às liberdades democráticas. O ouvinte não é bobo: sabe muito bem como funciona a engrenagem e aqueles que pregam uma coisa e fazem outra.
Não há nada mais belo do que conviver com a diversidade, com o colorido das pessoas, respeitar a vida e a história pessoal de cada ser humano. Tenho amigos na esquerda e na direita, no governo e na oposição, em qualquer vertente filosófica, em qualquer credo religioso, em qualquer convicção ideológica ou orientação sexual.
Talvez seja por isso que recorro à máxima de Mário Quintana: “Eles passarão, eu passarinho”.

Obrigado!