Semanário analisa chances da terceira via conseguir se viabilizar: quase nenhuma

O jornal Tribuna do Planalto faz análise das chances da chamada terceira via conseguir um lugar ao sol na disputa de 2014.

A conclusão de quem lê a reportagem é de que as chances são quase zero.

Ou seja: dificilmente o bloco liderado por Ronaldo Caiado, Vanderlan Cardoso e Jorcelino Braga entrará na corrida sucessória com as mesmas chances de PSDB e PMDB.

Veja a análise:

 

Terceira via corre contra o tempo para se fortalecer

A terceira via, liderada pelo ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso (PSB), pelo deputado federal Ronaldo Caiado (DEM), e pelo ex-secretário da Fazenda, Jorcelino Braga (PRP), quer quebrar a polarização histórica no Estado. No entanto, ao ser comparado com os outros dois grupos que pretendem disputar o governo, o bloco fica em desvantagem, o que reforça a necessidade de um crescimento rápido para viabilizar uma candidatura própria.

A comparação é desfavorável à terceira via. Enquanto a base aliada do governador Marconi Perillo e a oposição têm, respectivamente, 124 e 73 prefeituras, o grupo de Vanderlan, Braga e Caiado comanda 42 municípios goianos, totalizando pouco mais de 600 mil pessoas governadas.

Além disso, a falta de estrutura partidária em todo o Estado também pode ser desfavorável ao grupo. Ao enfrentar alianças que envolvem partidos como o PSDB, PP, PSD e PTB na base aliada, e PMDB e PT, pela oposição, a terceira via pode ter dificuldades para rivalizar com os dois grupos, que tem mais facilidade para encontrar lideranças e montar palanques por todo o Estado.

O grupo também tem pouca representatividade em outros setores. Na Assembleia, o único deputado comprometido com a terceira via é Simeyzon Silveira (PSC), que foi bancado por Vanderlan, Caiado e Braga para a prefeitura de Goiânia. Na Câmara dos Deputados, dos 17 parlamentares goianos, a terceira via conta apenas com o presidente regional do DEM e a deputada Flávia Morais, do PDT.

Além disso, a terceira via também sofre com a possibilidade de rachas internos no DEM e no PSB, o que pode prejudicar ainda mais a viabilidade de uma candidatura do grupo. Como presidentes das siglas, Caiado e Vanderlan são entusiastas do projeto, mas pode haver resistências nos dois partidos.

No DEM, que é aliado histórico do PSDB em Goiás, a dificuldade é convencer os partidários a deixar de lado o apoio ao governador Marconi Perillo. No PSB, por sua vez, o problema é que toda a estrutura do partido foi montada por Júnior do Friboi. Mesmo com o empresário no PMDB, há lideranças, principalmente prefeitos e vereadores, que vão continuar fechados com o novo peemedebista.

Indefinição

O distanciamento do de¬pu¬ta¬do Ronaldo Caiado da base aliada do governador Marconi Perillo não é seguida com entusiasmo pelo DEM. Atual¬me¬n¬te, os dois deputados estaduais do DEM, José Vitti e Hélio de Sousa, integram a bancada governista, assim como o senador Wilder Morais. Além disso, nas 16 prefeituras comandadas pelo partido, a impressão é que os democratas preferem manter um alinhamento com o governador.

Mesmo assim, Caiado mantém a intenção de colocar o DEM em uma candidatura fora da alçada governista. O primeiro indício disso foi a saída do vice-governador José Eliton, que era o principal defensor da manutenção da aliança com Marconi Perillo. Agora, o episódio mais recente foi a aproximação com o go¬ver¬nador de Pernambuco, Edu¬ardo Campos, que também é presidente nacional do PSB. Tencionando ser candidato à presidência da Repú¬blica, o pernambucano busca alianças regionais para ter palanques nos Estados.

Essa aproximação, aliás, foi a responsável pela “conquista” do PSB para o projeto da terceira via. Ao deixar a sigla rumo ao PMDB, Júnior viu o partido ficar sem liderança. Rapidamente, Vander¬lan Cardoso assumiu o comando da sigla, em uma costura política que envolveu também Ronaldo Caiado e Eduardo Campos.

Muito comemorada, a conquista do PSB reforça o projeto, mas ainda há questões a resolver. O crescimento experimentado pela sigla desde 2011 foi construído com o apoio de Júnior, que não poupou esforços para fortalecer a sigla. Por causa disso, lideranças do partido já mostraram insatisfação com a mudança de rumo, já que Vanderlan sinaliza com uma candidatura própria.
Por causa disso, há a especulação de que, mesmo com o ex-prefeito de Senador Canedo comandando a sigla, alguns integrantes do PSB devam apoiar Júnior, apesar de sua mudança para o PMDB

Desidratações

Se as disputas internas no PSB e DEM se tornarem mais acirradas, os dois partidos correm o risco de sofrer com desidratações, enfraquecendo ainda mais o projeto. No DEM, ficou a expectativa de que a saída do vice-governador pudesse significar a saída de aliados mais próximos do ex-democrata.

Isso, porém, ainda não aconteceu. Além disso, há quem acredite que a saída de José Eliton também não vai significar grandes perdas, já que a ala liderada por ele era pequena. Mesmo assim, como o prazo final para troca de siglas vai até outubro, o partido ainda sofre com a ameaça.

No PSB, uma saída especulada é a do ex-deputado federal Barbosa Neto, que ocupava a presidência da sigla até o início do ano. Com a chegada de Vanderlan, Neto perdeu espaço. Ele, porém, deve continuar apoiando Friboi, já que ele teria um acordo com o empresário – Júnior já teria se comprometido a ajudar no financiamento de sua campanha a Assembleia Legislativa.

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