Investigados pelo MP, Paulo Borges e Wellington Peixoto correm risco de cassação

Reportagem publicada no jornal O Hoje:

O Ministério Público estadual pode decidir esta semana, pelo menos em tese, o futuro político dos vereadores Paulo Borges (PMDB) e Welington Peixoto (PSB). Se os dois forem denunciados por envolvimento em esquema de fraude na Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), há o risco de perda de mandato, já que o Conselho de Ética da Câmara de Goiânia deve instaurar, nos próximos dias, procedimento para averiguação de quebra de decoro parlamentar.

Presidente do Conselho, a vereadora Célia Valadão (PMDB) está aguardando cópias do processo de investigação do MP para embasamento dos trabalhos. A tese de afastamento dos dois acusados também pode ser reforçada se a Comissão Especial de Inquérito (CEI), cujos membros devem ser conhecidos esta semana, chegar à conclusão de ilícitos na concessão irregular de licenças ambientais e de que empresários teriam sido extorquidos pela quadrilha que atuava no órgão da prefeitura da capital.

Pela Operação Jeitinho, deflagrada pelo MP em 11 de janeiro, havia um esquema de cobrança de propina, que os promotores de Justiça Denis Bimbati Marques, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e José Carlos Nery, do Centro de Segurança da Informação e Inteligência (CSI), denominaram de “venda de facilidades”.

Nos desdobramentos da investigação, Paulo Borges chegou a ser preso e conduzido ao Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde permaneceu por três dias até conseguir um habeas corpus.

Imagens de câmeras do circuito interno de segurança de um centro comercial de Goiânia, divulgadas pelo MP, mostra o vereador supostamente recebendo dinheiro da propina do consultor ambiental Afonso Antunes de Oliveira Filho, levado coercitivamente à sede da instituição para depor, assim como o diretor de Licenciamento e Qualidade Ambiental da Amma, Airton Rossi, e Welington Peixoto.

Acusado de participar do esquema de corrução, o ex-diretor do Departamento do Contencioso Fiscal, Ivan Gouveia Filho, também foi preso na operação.