Telho tenta mostrar transparência, mas só evidencia que não faz em casa o que vive cobrando de todo mundo

Em resposta indireta ao blog 24 Horas, que pesquisou o Portal da Transparência do Ministério Público Federal e concluiu que a liberação de informações sobre a instituição é dificultada ao máximo, o procurador federal Hélio Telho postou no seu Twitter que:

Helio Telho @HelioTelho

Conheça os contracheques dos procuradores e servidores do MPF: http://www.transparencia.mpf.gov.br/gestao-e-gastos-com-pessoal/remuneracao ….

A dica foi boa porque o blog 24 Horas foi no link indicado por Telho e verificou que o MPF não coloca nos supostos contracheques (eles não são reproduzidos lá, na verdade, são apenas textos digitados e, portanto, manipulados) as vantagens acessórias que fazem com que o salário real dos procuradores ultrapasse o teto constitucional.

No contracheque de Telho, por exemplo, não consta o auxílio alimentação de R$ 3.500 que ele recebe mensalmente para comprar comida para ele e a sua família, por conta dos cofres públicos. É legal, mas…

Estrategicamente, o auxílio-alimentação – que o incendiário Nilson Gomes, da rádio 730, batizou de “auxílio-lingüiça” – foi colocado em outro local do site do MPF e não aparece somado à remuneração dos procuradores federais, entre eles, claro, o dr. Telho.

Quem, como justiceiro, vive cobrando dos outros, não faz a lição em casa.

 

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