Veja o artigo de Armando Acioli que gerou a reação virulenta de Osmar Magalhães. Diga, leitor: quem tem razão?

Na terça-feira, Armando Acioli, um dos mais veteranos jornalistas goianos em ação, publicou artigo no jornal O Popular em que defende o metrô como o transporte de massa ideal para Goiânia.

Apesar de não caluniar ninguém (o blog 24 Horas acha que é um caso típico de direito de crítica), o texto despertou a ira do prefeito Paulo Garcia, que escalou o secretário Osmar Magalhães para responder o jornalista de forma agressiva, desrespeitosa e longa, em carta publicada na edição de quarta-feira no Popular.

Leia o artigo e avalie se foi mesmo só uma crítica e se Armando merecia uma resposta tão agressiva:

 

OPINIÃO
28/05/2013
Metrô, transporte de massa ideal

Periodicamente, não sem motivações, a população dependente do transporte coletivo na capital e na Grande Goiânia, se revolta, notadamente nos casos de demora, falta de ônibus nas linhas, aumento de passagens, terminais e pontos inadequados, greves de motoristas e protestos de estudantes, a exemplo de deploráveis episódios anteriores e como os que ocorreram há pouco na metrópole goiana. O transporte coletivo é serviço público essencial, que não pode ser explorado apenas pelos empresários do ramo, que só visam lucros. Nos termos da Constituição Federal de 1988 (artigo 21, inciso XX) compete à União instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive o transporte, enquanto o Estado criou sua Região Metropolitana com agrupamentos de municípios limítrofes, atendendo ao disposto na Carta goiana de 1989 (artigo 90) e de acordo com o mandamento da Lei Maior do País (artigo 25, parág. 3º). Por sua vez, a Lei Orgânica do Município de Goiânia, que data de 1990, tem poderes (artigo 172) para organizar o transporte coletivo em regime de concessão ou permissão, mas sem ferir preceitos normativos, como o abuso de majoração de tarifas.

Serviço público de natureza essencial que vem sendo negligenciado pelos governos, a começar pelo poder central, que concentra uma montanha de recursos e cria ministérios eleitoreiros, por que não destinar verbas adequadas para implantar o metrô na capital goiana e respectiva região metropolitana? Só teremos melhor qualidade do transporte de massa nos centros urbanos com a presença de metrôs como os que já funcionam em outras regiões do País e na geografia mundial. Em seu governo voltado para o social, o então governador Henrique Santillo lutou pela construção do metrô de superfície em Goiânia, inclusive com planejamento e estudos feitos pelo engenheiro Carlos Maranhão, mas viu seu projeto sabotado na área federal por adversários políticos. Seguidor do projeto social de Santillo, o governador Marconi Perillo também se empenhou pelo metrô em Goiânia, avaliado em US$ 380 milhões, mas o então presidente FHC não o respaldou.

Agora, o chefe do Executivo estadual, na expectativa de recursos financeiros do governo Dilma, mira-se no projeto do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) com o Estado destinando sua cota-parte. O VLT, porém, não seria a solução para o transporte de massa na capital e na Grande Goiânia. Tudo leva a crer que o governador goiano ainda venha promover gestões para concretizar seu antigo projeto do metrô de superfície na Região Metropolitana. O metrô, no caso da geografia favorável, terá condições tecnológicas para operacionalizar nos eixos Norte-Sul e Leste-Oeste e interligado com a Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), esta sob o controle dos empresários do ramo na exploração desse serviço público relevante e sob a jurisdição do município de Goiânia. A propósito da RMTC, que tem até City Bus na exploração dessa atividade pública essencial, a entidade responsável pelo avanço das tarifas é a Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC), que acaba de aumentá-la para 3 reais, uma das mais altas do País, enquanto no Eixo Anhanguera, com a estatal Metrobus, o valor é a metade (R$ 1,50). O recente protesto dos estudantes contra a majoração abusiva das passagens deveria ser no Paço Municipal de Goiânia, que administra o transporte coletivo urbano e não próximo ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira. Tudo leva a induzir que o movimento estudantil, inclusive com a presença de universitários, teve fins políticos.

Após essas considerações, o estranho é que depois de uma sequência de fatos políticos no Estado (ingerência de Michel Temer no PMDB regional com a filiação do bilionário José Batista Júnior no partido como possível candidato ao governo goiano em 2014, o que gerou mal-estar entre e o PT e a legenda de Iris Rezende; o desabafo do governador Marconi Perillo sobre o autocrático chefão do petismo em evento tucano em Brasília e sua mobilização contra a redução do ICMS), o prefeito Paulo Garcia visitou Lula em São Paulo e em seguida disse à imprensa que nada falou no encontro sobre Marconi, enquanto os radicais do lulopetismo não pouparam críticas ao governador Marconi, a começar pelo fascista Rui Falcão, dirigente nacional da sigla hoje associada ao capitalismo. Será então que o prefeito Paulo Garcia, que vendeu a folha de pagamento da Prefeitura ao Banco do Brasil por R$ 80 milhões, sacrificando inativos inválidos e aposentados, foi rezar pela saúde do amigão do ex-ditador venezuelano Hugo com o terço que o arcebispo de Goiânia, d. Washington Cruz, lhe presenteou recentemente com a peça sagrada que ganhou do papa Bento XVI?

Agora, em vez de colaborar com o metrô de Goiânia (várias capitais de Estado já os têm, além dos grandes centros urbanos mundiais), o prefeito Paulo Garcia inventa o duvidoso projeto do Bus Rapid Transit (BRT), orçado em R$ 4.697.341,06. Os consórcios e empreiteiras das doações milionárias nas campanhas eleitorais já estão de olho no BRT que, em conluio com a RMTC, continuará explorando, na ânsia de lucros, o transporte coletivo na Região Metropolitana. Tudo isso ante os descalabros administrativos na Marginal Cascavel, sequência da Marginal Botafogo, descaminhos no Parque Mutirama, no Plano Diretor, vias públicas desapropriadas para beneficiar o poder econômico e os escândalos na Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Onde está o Ministério Público? O inusitado é que em meio à corrupção endêmica, a falta de ética na política e a impunidade na história da administração nacional, o lulopetismo autoritário, que ameaça o Estado Democrático de Direito, não tem recursos para o metrô em Goiânia, transporte de massa ideal para o País.

 

ARMANDO ACIOLI é jornalista e formado em

Direito pela UFG

 

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