Acredite. Mauro Rubem e FHC tem algo em comum: os dois defendem a liberação da maconha

Em entrevista ao Jornal Opção, desta semana, o deputado Mauro Rubem demonstra que tem algo em comum com o ex-presidente FHC. Seria algo inimaginável. O petista é xiita em seus posicionamentos, principalmente os contrários aos tucanos.

Mas FHC e Mauro Rubem concordam num tema muito polêmico: os dois defendem a liberação da maconha.

Veja as perguntas do jornalista Cezar Santos e as respostas do parlamentar petista:

 

Cezar Santos — E como ficaria a repressão?
Claro que é necessária a continuidade da repressão ao traficante. Temos inclusive de parabenizar a polícia, que recentemente prendeu um cidadão com quilos e quilos de maconha em Goiânia. Essa repressão é necessária. Mas temos de pensar no objetivo final: o Credeq, com a internação compulsória, criminaliza o usuário e gasta energia de forma ineficiente. Como vamos combater as drogas sem tratar as raízes do problema? Vou dar um exemplo: tivemos 544 mortes por assassinato no ano passado em Goiânia. A polícia diz que 70% delas foram vinculadas às drogas. Ou seja, foram quase 400 mortes envolvendo a droga, por problema da relação de compra e venda entre traficante e usuário. Imagine então se o Estado trouxesse para si o controle desse mercado, diferentemente do que ocorre com as OSs, ao invés de dizer simplesmente que é proibido. É uma hipocrisia. O Estado precisa ser duro com o traficante e discutir o que Portugal fez: criar regulamentação para algumas drogas, inclusive a maconha, tirando o traficante da jogada e reduzindo a violência e as mortes. É preciso que o Estado se aproxime do usuário e não que o recrimine.

Cezar Santos — Então o sr. é adepto da tese do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a liberalização das drogas?
Sim, ele está certo no que diz sobre as drogas. Do contrário, vamos ficar como o México, onde o cartel das drogas tem até Boeing para transportar seu produto. Em Portugal houve uma redução drástica do consumo de drogas. Com isso, diminuem também doenças transmissíveis e o drama da AIDS, por exemplo. Aqui no Brasil, em Goiânia, essa medida já valeria para evitar essas 400 mortes que ocorreram por conta do tráfico.