Euler Belém defende Amado Batista e lembra que a esquerda queria implantar ditadura no Brasil

A equipe do blog 24 Horas tem um consenso: ninguém pega um livro para ler sem antes consultar a avaliação da revista Veja e a do jornalista Euler Belém, editor do Jornal Opção.

Neste fim de semana, com a sua cultura enciclopédica, Euler defende Amado Batista dos ataques da esquerda raivosa (Amado disse que mereceu ser torturado na época do regime militar e irritou os esquerdistas) e aproveita para demolir o mito de que os grupos armados perseguidos pelos generais estavam lutando em favor da democracia.

Euler faz uma afirmação ousada (e já admitindo que irá desagradar): “Como disse, com acerto, Amado Batista, a esquerda patropi queria transformar o Brasil numa grande Cuba. Os militares — matando bem menos do que os cubanos de Fidel e Raúl Castro e do argentino Che Guevara, este, quem sabe, mais sanguinário do que os hermanos —, pode-se dizer, correndo o risco de desagradar os bem-pensantes da esquerda, “salvaram” o país”.

Leia o artigo de Euler Belém:

 

Amado Batista tem razão: esquerda queria criar

nova Cuba e não pretendia reinstalar democracia no Brasil

Amado Batista escandalizou a jornalista Marília Gabriela — que nunca foi de esquerda e quase sempre recebeu salários acima de três dígitos, não raro acima dos ganhos de executivos das mais poderosas multinacionais, mas, como muitos repórteres, adora simular que é “vermelha” — porque disse que mereceu ser torturado na ditadura. Ninguém merece ser torturado, é claro, e o cantor certamente não é masoquista. Mas o artista popular disse coisas que a imprensa, como a “red” de butique Marília Gabriela, optou por ignorar.

O artista frisou que, se os militares não tivessem mantido o poder, na luta contra os guerrilheiros, o Brasil poderia ter se tornado uma nova Cuba. Na verdade, Amado Batista tem razão. Os guerrilheiros de Carlos Marighella e Carlos Lamarca não queriam derrubar a ditadura para reimplantar a democracia no país. Pretendiam arrancar os militares do poder para instalar no comando da nação tropical abençoada por Deus os militantes da esquerda mais radical. A Ação Libertadora Nacional (ALN), co­mandada por Marighella, nada tinha de democrática. Se a ALN — ou outra corrente, como a VPR — tivesse chegado ao poder, milhares de militares e democratas teriam sido enviados para o paredón, sem chance alguma de escapar. Muitos teriam de fugir do país, com certa urgência, para garantir a sobrevivência.

Como indenização, por ter sido barbaramente torturado, Amado Batista recebe uma pensão “de R$ 1 mil e pouco” por mês. É pouco, comparada às indenizações milionárias de esquerdistas festivos, como Carlos Heitor Cony, Jaguar e Ziraldo, que nunca foram torturados e ganharam a vida e muito dinheiro durante todo o período da ditadura. Alguém ainda acredita que, em Cuba, seria possível criar um jornal debochado e inteligente como “O Pasquim”? Se acredita, merece morar um ano na Disneylândia das esquerdas ortodoxas — como “castigo”. Chico Buarque e Fernando iMorais garantem que “adoram” Cuba e o regime criado pela dupla Fidel e Raúl Castro, Sade e Masoch, mas a dupla dinâmica não quer morar no caliente país de Bola de Nieve e Omara Portuondo. Ora, se lá não há ricos — só pobres, em geral famélicos —, por que será que Buarque e iMorais não querem curtir as praias maravilhosas e a malemolência dos cubanos? Porque lá escasseiam os únicos alimentos que não podem faltar no prato de um artista e de um repórter: liberdade e espaço para publicar e divulgar aquilo que se criou.

Pois, como disse, com acerto, Amado Batista, a esquerda patropi queria transformar o Brasil numa grande Cuba. Os militares — matando bem menos do que os cubanos de Fidel e Raúl Castro e do argentino Che Guevara, este, quem sabe, mais sanguinário do que os hermanos —, pode-se dizer, correndo o risco de desagradar os bem-pensantes da esquerda, “salvaram” o país. A ditadura brasileira teve outra “vantagem”: seus criadores, alguns deles, como o presidente Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, espécie de primeiro-ministro de pelo menos dois governos militares, decidiram “matá-la”.

A ditadura cubana — aquela que Marighella e Lamarca queriam mimetizar no Brasil — resiste há quase 55 anos. Seus líderes — só não são mais líderes do povo — não largam o poder nem que a vaca tussa em russo. Alegam, com a desfaçatez típica de esquerdistas, que traficam a mentira como os carteis colombianos traficam cocaína, que o embargo econômico norte-americano trava o desenvolvimento da ilha. Nada mais falso. Cuba, na verdade, produz pouca coisa, além de charutos, rum e açúcar, e não tem dinheiro — dólares — para comprar produtos no mercado externo. Se tivesse dinheiro farto, poderia comprar onde quisesse. O que se consome em Cuba, inclusive remédios e roupas, é produzido onde? Parte nos Estados Unidos. Cuba tem algum futuro? Sim, seu futuro não é mais ser balneário dos Estados Unidos, e sim do mundo. O turismo é a salvação, talvez única, do parque dos dinossauros da dinastia Castro.

Agora, dadas as declarações de Amado Batista, querem retirar sua indenização. Ora, suas palavras, por estranhas que sejam, não contrariam a lei. Dizer o que se entende por verdade passou a ser crime no Brasil?