Presidente da AGR desrespeita CPI da Enel e não comparece a sessão

A reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura irregularidades no fornecimento de energia elétrica por parte da empresa Enel, agendada para às 10 horas desta quinta-feira, 10, no auditório Solon Amaral da Assembleia Legislativa (Alego), foi cancelada e uma nova reunião será agendada para a próxima semana. Segundo o relator da comissão, deputado Cairo Salim (Pros), o motivo de não haver a sessão foi a ausência do presidente da Agência Goiânia de Regulação (AGR), Eurípedes Barsanulfo, convidado para prestar esclarecimentos aos parlamentares integrantes da CPI, que enviou representante. “Não iremos abrir a reunião sem a presença do próprio titular da AGR”, disse Salim.

O deputado explicou que a chefe da Procuradoria Setorial da AGR, Patrícia Vieira Junker, representante do órgão, trouxe uma nota técnica tratando do passo a passo para o cumprimento do termo de compromisso firmado entre a empresa Enel com o estado. “Até dezembro a empresa tem que cumprir um número de investimentos e só 13% deles foram alcançados até agora. Mas a empresa alega que vai conseguir cumprir o cronograma. Nosso papel aqui é fiscalizar e estamos fazendo isso”, sustentou Salim.

Ele ainda disse que o encerramento dos trabalhos da CPI pode ocorrer em novembro. “Nós estamos esticando os trabalhos da CPI para acompanhar esse cumprimento. Creio que em novembro vamos conseguir encerrar e formular nosso relatório, assinando um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto à Enel e o Ministério Público de Goiás (MP-GO)”, disse.

O deputado Chico KGL (DEM), membro suplente da comissão, disse que devido a não vinda do presidente da AGR, a procuradora veio e trouxe a informação de que tudo o que foi acordado durante a CPI será cumprido. “Até o momento foram cumpridos 13%, mas a energética assegura que no período entre novembro e dezembro deverão ser cumpridos mais 85% do que se comprometeu com as empresas e com o Estado de Goiás”, apontou.

Chico afirmou que o avanço é resultado do trabalho da CPI, que atuou para levar informações e cobrar resultados. “Visitamos todas as regiões do estado, onde pudemos levantar as necessidades”, disse. O democrata pontuou, ainda, a diversidade encontrada entre as diferentes regiões goianas. “Nem toda região tem a mesma necessidade da outra. Por exemplo, no Sudoeste goiano quem sofre mais são os produtores rurais, produtores de leite, cooperativas, que empregam e investem bastante. Já nas outras regiões, a falta de energia atinge os assentamentos”, explicou.

Ele reiterou ainda que continuará a acompanhar e fiscalizar e cobrar. “Vamos esperar até dezembro, que é o prazo para a Enel cumprir o acordo. Acredito que o resultado seja bom e que a Enel cumpra o que ela se comprometeu conosco”, completa.

Para KGL, com o cumprimento do acordo, Goiás só tem a ganhar. “A população tem pago um preço muito alto por uma energia que não vem atendendo à demanda. Mas espero que com o final da CPI, o que é pago, seja revertido a favor das necessidades da população”, constatou.

O parlamentar salientou ainda que em função das dificuldades com a distribuição de energia, o estado tem tido prejuízos. “Por causa da falta de energia, Goiás não tem podido receber empresas para gerarem emprego e renda.”