EDITORIAL A cena triste do apedrejamento do caixão de Leide das Neves e a quarentena dos repatriados de Wuhan em Anápolis

A edição deste sábado (8) do jornal O Popular publica a foto emblemática da tragédia do acidente do Césio 137, ocorrido em Goiânia em 1987.

A foto, que ilustra este post, mostra o momento dramático do enterro da menina Leide das Neves, vítima da radiação da pedra azul que encantou o dono de ferro velho Devair Ferreira.

No registro do enterro, moradores das imediações do cemitério aparecem ensandecidos num delírio de intolerância jamais visto em Goiás.

Eles tentam impedir com violência o sepultamento do corpo de Leide das Neves e atiram pedras no caixão.

A cena é devastadora e revela que a barbárie não escolhe lugar para aflorar, mesmo que este local seja um campo santo no enterro de uma criança inocente.

O que é mais chocante ainda a presença entre os manifestantes do então vereador e hoje deputado federal José Nelto.

Nelto jura que estava apaziguando a turba no cemitério, mas nunca convenceu: ele seria o líder da manifestação de ódio que entrou para a história de Goiânia como uma página negra que janais será esquecida.

A quarentena em Anápolis dos brasileiros repatriados de Wuhan, epicentro da epidemia do coronavírus, trouxe novamente à tona o acidente do Césio 137 e seus tristes personagens.

A hora é de moderação, equilíbrio e de serenidade. 

A torcida do Goiás24Horas é para que o final desta história da quarentena do coronavírus seja feliz e que as cenas repugnantes como a protagonizada pelo notório José Nelto não voltem a se repetir.