Proposta de motoristas de ônibus de reajuste 15% é rejeitada por patrões e pode haver greve em Goiânia

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (SET) rejeitou a proposta de reajuste de 15% para os motoristas de ônibus de Goiânia apresentada pelo Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Goiânia e Região Metropolitana (SindColetivo).  A contraproposta do SET é de 3,75%.

O SindColetivo aponta insatisfação dos motoristas e alerta que eles podem entrar em greve em Goiânia. A entidade encaminhou ao SET o  documento foi aprovado em assembleia dos motorista, que contém 50 itens. Entre os pedidos dos trabalhadores estão reajuste salarial e de gratificações de 15%, anuênio de 3%, redução da jornada de trabalho para seis horas diárias ou 36 horas semanais e aumento de 25% no valor do Ticket Alimentação.

O presidente do SindColetivo, Sérgio Araújo, afirmou que as propostas são audaciosas, mas plausíveis. Porém, conforme Araújo, o SET não se sensibilizou e se nega a negociá-las.

“Pelo que estou vendo, os patrões não estão muito satisfeitos com nossas propostas. São propostas cabíveis. Eles ganham um dinheiro exorbitante e a carga é colocada em cima do trabalhador e dos passageiros”, afirmou.

O SindColetivo ganhou na Justiça o direito de representar a categoria, substituindo o Sinttransporte que, segundo Araújo, era uma entidade “pelega” e não defendia os direitos da classe.

Pela assiduidade dos trabalhadores na primeira assembleia do ano, que definiu os pontos da proposta de convenção coletiva, o presidente do sindicato acredita que os motoristas estão engajados na luta por melhorias.

Confira as principais propostas do SindColetivo:

– Reajuste salarial e das gratificações em 15%
– Reajuste de 25% no Ticket Alimentação
– Auxílio alimentação anual de Natal no valor integral do Ticket reajustado
– Pontos facultativos como Carnaval será considerado feriado. Quem for convocado a trabalhar, terá horas extras com adicional de 100%
– Redução da jornada de trabalho dos motoristas para seis horas diárias ou 36 horas semanais, sem redução de salários e, caso o expediente ultrapasse, o valor deve ser pago como hora extra
– Intervalo intrajornada para alimentação entre 30 minutos e uma hora
– Anuênio de 3% para todos os trabalhadores
– Pagamento de abono de R$ 1 mil por função complementar ou contratação de ajudante de bordo
– Estabilidade nupcial de seis meses, inclusive união estável
– Estabilidade pré-aposentadoria de 24 meses
– Pagamento de 10% do valor de vendas realizadas pelo motorista pela modalidade “Venda a bordo”
– Ajuda de custo mensal de R$ 450 ou autorização para comercializar quatro passagens diárias dos cartões pessoais
– Renúncia de uma ação judicial na qual o SindColetivo deveria pagar R$ 50 mil ao SET por greves anteriores
– Folga extra ao motorista no dia de seu aniversário
– Descontos nos salários dos motoristas por acidentes de trânsito, multas e outros só podem ser feitos após comprovação por parte da empresa junto ao Sindicato
– Limitação das vendas obrigatórias a bordo a quatro passagens
– Obrigação de que a empresa mantenha o trabalhador vinculado à garagem mais próxima de sua casa.