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Cláudio Meirelles: “De escândalo em escândalo, governo Caiado vai se atolando em evidentes atos de corrupção”

“Cristaliza-se no governo de Goiás a constatação de que o combate ao coronavírus tem sido a porta de entrada para o corredor da corrupção da administração Caiado. Os repetidos casos de compras de produtos e equipamentos utilizados pelos hospitais e agentes de saúde, avultam-se a cada dia, sepultando de vez o governo de Ronaldo Caiado, já tão combalido pela inércia e incompetência.

Na primeira sessão remota realizada pela Assembleia Legislativa, denunciei que a Secretaria de Saúde do Estado havia adquirido 78 mil máscaras respiratórias N95 a R$16,00 a unidade, valor mais de três vezes superior ao de mercado. Na ocasião, tentaram convencer a sociedade que a urgência e a escassez do produto eram as responsáveis pela brusca elevação do preço das máscaras.

Evidentemente que não me convenceram e nem a outros deputados da oposição que também se manifestaram na ocasião. O assunto voltou à tona através de matéria divulgada pelo jornal O Popular em sua edição do dia 16/04 (quinta-feira).

A matéria respalda nossa denúncia ao relatar que a Diretoria Geral de Administração Penitenciária (DGAP), em menos de uma semana depois da compra realizada pela SES, adquiriu o mesmo produto por R$ 5,40 a unidade. A abismal diferença não se encaixa no subterfúgio da escassez e urgência alegados pela SES.

Se há escassez em decorrência da urgência e aumento de preço com base na lei da oferta e da procura, a DGAP é quem deveria ter pago mais caro pelo produto, uma vez que o adquiriu na semana seguinte. Portanto, o argumento da SES é ignóbil e inconsistente. Não se sustenta pela obviedade de uma ação que tentou se aproveitar de um decreto de calamidade pública que lhe franqueia compras sem licitação, causando prejuízo aos cofres do governo e deixando no ar a dúvida se há alguém levando vantagem neste obscuro momento da vida das famílias goianas.

A Secretaria Estadual de Saúde lidera o ranking dos inúmeros casos de transações suspeitas realizadas pelo governo Caiado nesses últimos 30 dias. Recentemente, pega em flagrante na prática de nova compra lesiva ao tesouro estadual, teve que anular a aquisição de 30 mil kits para teste de coronavírus. A uma empresa de quem se suspeita não ter expertise para trabalhar com o produto objeto da compra, a SES pretendia pagar R$ 38,7 milhões pelos kits, cotados a R$ 129,00 valor superior aos R$ 124,90 praticados no mercado. A transação legaria ao governo um prejuízo estimado em R$ 1,23 milhão.

Tenho batido na tecla de que, se fosse sério e zeloso do dinheiro público, Caiado deveria agir energicamente contra aqueles que patrocinam atos de corrupção. Se não o fizer, deixa no ar a incerteza sobre a veracidade de suas afirmações contrárias a ações de improbidade. Nos faz pensar se é conivente, se se faz de inocente ou se é relapso mesmo nos cuidados com a decência em sua administração.

É muita patuscada em tão pouco tempo!

O governo Caiado não respira. Os escândalos se sucedem a menos de uma semana um do outro. E eles contaminam das secretarias à cozinha do governador. A Secretaria de Educação foi flagrada querendo comprar álcool gel a R$ 18,65 a unidade de 500 ml, preço muitos quilômetros a maior do que os R$ 5,83 pagos pela Secretaria de Segurança Pública para o mesmo produto da mesma gramatura.

Em mais esta transação lesiva aos cofres públicos, lá se iam mais R$ 1,2 milhão para o ralo da corrupção. A operação foi denunciada pelo Tribunal de Contas do Estado. A secretária Fátima Gavioli não estava em condições de justificar tamanha aberração na hora e pediu 15 dias para arrumar um álibi que a livre do vexame.

E Caiado assiste a tudo isso calado, sentado no salão nobre do Palácio das Esmeraldas, esbaldando-se de frutos do mar e vinhos caros enquanto a população impedida de trabalhar se arrisca na aventura de conseguir um bico que lhe garanta a sobrevivência. Aliás, Caiado deve estar bastante preocupado.

Preocupado com o esvaziamento do freezer palaciano, tanto que, em plena crise de saúde, com queda na arrecadação e ameaça de ficar sem dinheiro até para pagar a folha dos servidores, queria licitar a compra de mais de R$ 600 mil em carnes, frutos do mar, bebidas finas e outros mimos para a sua cozinha.

O escárnio com o povo sofrido pesou na consciência só depois que o disparate foi denunciado pela oposição. Temendo a reação popular, que já lhe é desfavorável há tempos, mandou “adiar” por 120 dias as compras. Ou seja, por enquanto não haverá a compra. Mas, daqui a 120 dias, a cozinha ficará recheada novamente, com coronavírus ou sem coronavírus.

Aliás, essa cozinha do governador também é boa para criar fatos desagradáveis para Caiado. Embora esteja ficando cada vez mais claro que ele não tem mais se importado com a opinião pública. Parece que se conformou em ser governador de um mandato só.

Não faz muito tempo, outra licitação despudorada demonstrou muito bem o descompromisso de Caiado com a moralidade. Em sua edição do dia 29 de janeiro deste ano, o Diário Oficial do Estado publicou licitação de quase R$ 1 milhão para a compra de produtos alimentícios para atender as necessidades da cozinha do Palácio das Esmeraldas.
Vejam bem o tamanho do escândalo, que aliás eu já denunciei em um artigo que escrevi naquela época. Para gastar esse quase R$ 1 milhão durante um ano, a cozinha do governador teria de torrar R$ 2,6 mil por dia.

Na mesma licitação, o governo despende R$ 195,9 mil para comprar água, gelo e frutas, o que dá uma média de R$ 500,00 por dia. A amiga e o amigo leitor me digam: é razoável se gastar tanto dinheiro com apenas três produtos, principalmente água e gelo? Não é para qualquer mortal.

Esta é a nossa realidade. Colocamos o Estado nas mãos de pessoas que nos enganaram com o discurso da moralidade. Esses que criticaram tanto o passado, que mancharam reputações sem provas e que usaram deste discurso para se apresentarem como o novo, como os restauradores da decência e do decoro, hoje se locupletam de seus cargos públicos de forma desavergonhada e aviltante.

Definitivamente a corrupção se instalou no governo de Ronaldo Caiado. E com força!

Cláudio Meirelles”