• Solução para homens ricos
Daniel Vilela, há cerca de 30 dias como governador, e vice por mais de três anos na gestão Caiado, resumiu o enfrentamento à violência contra a mulher a uma frase: disse que o agressor tem que pagar a tornozeleira eletrônica. É, pouco. Prevenção a violência doméstica envolve mais do que cobrar a fatura da agressão. Como se fosse apenas multa pelo direito de bater na mulher.
• Resposta não enfrenta a raiz do problema
A fala ignora a complexidade da violência doméstica. O combate ao feminicídio exige integração de políticas públicas, investimento contínuo, proteção às vítimas e atuação eficiente da Justiça.
Os dados caminham na direção oposta ao discurso. O Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024 e 1.518 em 2025, o maior número desde a tipificação do crime. Em Goiás o aumento é de quase 64% de 2018 para 2025. A coisa piorou demais.
A violência contra a mulher está ligada à demora judicial, à fragilidade das investigações e à incapacidade do Estado de oferecer resposta rápida e eficaz.
• Oportunismo político
Daniel Vilela participou da gestão anterior como vice-governador. O cenário atual não surgiu agora, mas é resultado de anos de políticas insuficientes. Cobrar que o agressor pague a tornozeleira não impede o crime.
No fim das contas, a proposta de Daniel é imatura e soa como a institucionalização de uma “multa” para a agressão: o sujeito pode até bater, desde que depois pague a tornozeleira. Isso não é enfrentamento, é sinal de permissividade disfarçada de política pública. Uma lógica que nasce de uma visão limitada, distante da realidade de quem sofre a violência.
Combater de verdade exige ouvir as mulheres goianas, dialogar com as vítimas, construir políticas com base em quem vive o problema e apresentar soluções estruturadas, com planejamento e participação social — não discurso político machista feito por homens.
Cristiano Silva
Editor


















