Exclusivo: Por que o prefeito de Rio Verde foi expulso pelo Conselho de Ética do MDB?

A expulsão do MDB do prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale, não pode ser atribuída apenas ao apoio à candidatura a governador Ronaldo Caiado (DEM). Existem outros motivos que selaram a incompatibilidade entre ele e sigla. O jogo duplo que culminou com a traição ao MDB foi apenas uma parte da história.

É claro que a infidelidade explicitada na campanha caiadista foi determinante. Paulo do Vale provocou uma série de constrangimentos ao candidato a governador do partido, Daniel Vilela, que era ignorado e até humilhado quando visitava o município.

Mas, também pesou contra ele um conjunto de atritos graves com a legenda em Rio Verde, como a gestão atabalhoada que realizou à frente do MDB local e a exclusão do partido da administração da prefeitura do município.

Documentos que o blog G24hs teve acesso revelam que, quando era presidente do MDB de Rio Verde, Paulo do Vale não recolheu os impostos devido e levou a legenda à inadimplência.

A negativação do partido gerou revolta no partido e ele acabou destituído do comando emedebista. As contas só começaram a ser pagas depois da saída dele.

A convivência entre Paulo do Vale e o MDB cumpriu curva ascendente e agora chegou aos seus estertores, a ponto dele ter sido declarado persona non grato nas reuniões políticas do partido no município.

A verdade é que MDB nunca se sentiu parte integrante da gestão de Paulo do Vale na Prefeitura de Rio Verde. Não integra o secretariado, não tem cargos de confiança e é solenemente ignorado pelo prefeito.

“Paulo do Vale nunca foi emedebista. É, sim, um oportunista. Usou a nossa legenda para virar prefeito e depois deu as costas para o partido. A expulsão foi a melhor coisa que aconteceu”,  assinala um integrante histórico da legenda em Rio Verde.

A gestão de Paulo do Vale na prefeitura também recebe uma enxurrada de críticas. Apesar da arrecadação de cerca de 70 milhões mensais, o prefeito mergulhou o municípios em dívidas e instalou o caos na administração.

Não se tem notícia de obras importantes e os serviços prestados à população são de baixa qualidade. O desleixo da prefeitura é facilmente percebido na conservação das vias públicas. Há muita conversa e pouca ação.

De concreto mesmo até agora, passados mais de dois anos de administração, só um recapeamento meia boca da Avenida Presidente Vargas.

Acusado de traidor, com atritos incontornáveis no MDB e com a imagem desgastadas como prefeito, o destino de Paulo do Vale já estava escrito: a vexatória expulsão do seu próprio partido.